Paulo Morais apresentou este sábado à tarde, no Porto, a sua candidatura às Presidenciais de 2016 sem poupar críticas ao sistema político português. Disse que há falta de “verdadeira política” em Portugal e que no seu lugar está a “politiquice, a política de luta pequena” que não contribuiu para o desenvolvimento económico e social do País.

O candidato a Belém repetiu uma série de análises que são já a sua “imagem de marca”.

“Temos um regime democrático que está completamente agonizante”, afirmou, referindo-se ao exercício “mesquinho e egoísta” da maioria dos titulares de cargos políticos nas últimas décadas.

“Os governantes mentem todos os dias, enquanto o povo tem sede de uma justiça que nunca chega”.

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“Os partidos do poder transformaram os processos eleitorais em circos de sedução em que acaba por ganhar quem é mais eficaz a enganar os cidadãos. As eleições transformaram-se assim em concursos para a escolha do maior mentiroso. E o troféu em jogo neste concurso é a chefia do Governo”, disse o candidato, garantindo que se for eleito demitirá o Governo que não cumpra asa promessas eleitorais.

O ex-número dois de Rui Rio na Câmara do Porto não poupou os deputados da Assembleia da República. Disse que se “entretêm apenas a fazer negócio” e que “largas dezenas” acumulavam funções parlamentares com a de gestores, diretores, administradores ou consultores de grupos económicos “que beneficiam de muitos favores do Estado”.

Sobre o Executivo liderado por Passos Coelhos, afirmou que está “sem rumo” e que o primeiro-ministro rompeu o compromisso que assumiu com o eleitorado.

“Passos Coelho mentiu-nos e afinal é um mero seguidor das políticas de José Sócrates”.

“Temos uma política onde a mentira tem sido a marca recorrente. Os candidatos tudo prometem em campanha e uma vez no poder esquecem os seus compromissos eleitorais. Passos Coelho prometeu-nos o céu, mas remeteu-nos ao inferno”, referiu. O candidato acusou também o “parceiro” dos sociais-democratas de “mentira” – “o CDS-PP defendia a diminuição da carga fiscal até chegar ao Governo e se tornar o maior cúmplice do seu agravamento” – para recuar até José Sócrates e Durão Barroso.

“[José Sócrates] fez exatamente o mesmo. Prometendo não aumentar impostos, não tardou em fazê-lo quando subiu ao poder. Mais um mentiroso. Da mesma forma, Durão Barroso tinha anunciado na campanha de 2002 um choque fiscal com uma brutal redução de impostos. Mal tomou posse a primeira medida foi aumentar impostos”.

E nem o Presidente da República ficou fora do discurso. O candidato a Belém criticou Cavaco Silva, por este “não exercer as suas funções presidenciais” e que só uma intervenção da presidência da República pode desencadear um “processo de regeneração”.

“O exercício da política está nas ruas da amargura”, terminou, referindo que é preciso que o país cumpra com a Constituição que tem.

Paulo Morais, que entre 2002 e 2005 foi vice-presidente da câmara do Porto, durante o mandato de Rui Rio, apresentou-se no emblemático café Piolho, no Porto, na sessão de apresentação da sua candidatura à presidência da República, tendo apontado como prioridades o combate à corrupção e a transparência das contas públicas.