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Espanha

Podemos. Número 3 do partido bate com a porta

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Juan Carlos Monedero fundou e pensou o Podemos, mas agora demitiu-se porque o partido está, acusa, a transformar-se naqueles que quer substituir.

Getty Images

Autor
  • Hugo Tavares da Silva

Fundou e pensou o partido, mas agora bateu com a porta. O número três do Podemos, Juan Carlos Monedero, demitiu-se esta quinta-feira da direção do partido, conta o El País. “Apresentei ao meu amigo Pablo [Iglesias] a demissão na direção. Seguem firmes a minha amizade com alguém tão grande e o compromisso com o Podemos”, escreveu no Twitter, por volta das 17h20.

O líder, Pablo Iglesias, confirmou a demissão: “Apresentou a demissão e eu aceitei. [Monadero] cumpriu as suas obrigações relativas à elaboração do programa.” Também o Podemos reagiu através da sua conta Twitter com palavras de agradecimento. “Agradecemos a Monedero pelo seu extenso trabalho com Podemos. Seguimos em frente com este projeto de mudança que faz sonhar cada vez mais gente.”

O diário espanhol explica que a demissão chega depois de Monedero ter criticado o partido, por este estar, acusa, a transformar-se nos partidos que querem substituir. “Podemos cair neste tipo de problemas porque deixa de haver tempo para reunir-se com um pequeno círculo, porque é mais importante um minuto na televisão”, acusou, deixando, ainda assim, uma certeza: “é o [partido] mais decente na política espanhola”.

As dúvidas e o desconforto deste professor de Ciência Política na Universidade Complutense de Madrid já faziam eco há alguns dias. Há dois dias admitiu que ponderava abandonar a política ativa, algo que decidiria nas próximas semanas, ainda que quisesse “deixar a porta aberta para continuar a construir” o Podemos, partido esse que nasceu, lembra e vinca, “na rua e na reflexão.” É essa, aliás, uma das grandes críticas de Monadero: o partido tem de voltar às origens, disse.

Pablo Iglesias, líder do partido, reagiu às críticas do ex-número 3, afirmando que havia reflexões que não partilhava com Monadero. “Isso não muda que sejam enormemente valiosas. O ferrão crítico de Juan Carlos [Monadero] é importante para nós. Necessitamos de Juan Carlos a voar e com muita mais liberdade para fazer o que faz melhor, que é meter o dedo na ferida. (…) Eu também sinto nostalgia de quando fazíamos coisas mais pequenas”, explicou. Iglesias disse ainda que o ex-camarada “teve de sofrer”, isto porque “entrar na política tem riscos e Juan Carlos Monadero viveu momentos difíceis”.

Monadero sentia-se sobretudo desiludido e enganado com o facto de o partido ter caído nos vícios que envolvem a batalha eleitoral, perdendo assim a sua essência. Em sentido contrário, o partido rejeita, segundo o El País, que esteja a perder frescura, admitindo, ainda assim, que há coisas que mudaram nos últimos meses, algo que esperam reverter durante a campanha eleitoral graças ao contacto com os círculos e simpatizantes.

Juan Carlos Monedero nasceu em janeiro de 1963 e estudou Ciência Política e Sociologia. É professor de Ciência Política na Universidad Complutense de Madrid desde 1992. A experiência no Podemos não foi caso virgem na política: foi assessor de Gaspar Llamazares, entre 2000 e 2005, na Esquerda Unida. Entre 2005 e 2010 trabalhou diretamente com Hugo Chávez, o então presidente da Venezuela. Monedero liderou também uma equipa espanhola, ao serviço do Banco Central Europeu, no estudo dos efeitos da implementação do euro em Espanha.

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