A Grécia e os credores internacionais estarão muito perto de chegar a um acordo nas negociações sobre o programa de resgate, afirmou este domingo o responsável grego que está a liderar as negociações com os credores, Euclid Tsakalotos.

“Depois de meses de negociações difíceis, se o outro lado estiver disposto, vai-se tornar claro que o acordo está muito próximo e que será selado em breve”, afirmou o responsável que substituiu o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, nas negociações com as instituições depois da muito tensa reunião do Eurogrupo em Riga no início do mês.

Em relação às linhas vermelhas em relação às quais Atenas se tem mostrado irredutível, caso da reforma no sistema de pensões e no mercado de trabalho, Euclid Tsakalotos diz que o Governo grego e os credores estavam “separados politicamente” e que algumas áreas vão ficar por fechar “até ao último minuto”.

O Eurogrupo reúne-se esta segunda-feira em Bruxelas. A Grécia será, mais uma vez, o principal tema em cima da mesa. Atenas tem esperança de conseguir uma declaração positiva dos ministros das Finanças da zona euro que lhe permita receber uma parte dos 7,2 mil milhões de euros da última tranche do empréstimo europeu (e uma parte do FMI, cujo programa só termina em abril de 2016).

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No entanto, o presidente do Eurogrupo disse ainda este sábado, numa entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, que não sairá nenhum acordo da reunião de segunda-feira. Há progressos a registar, mas ainda não se está perto de chegar a um acordo, disse Jeroen Dijsselbloem.

Cofres vazios?

Não se sabe ao certo quando o Estado grego fica sem dinheiro nos cofres, mas depois de vários meses a espremer todos os serviços e instituições – incluindo o metropolitano e câmaras municipais -, o Governo pode ter chegado ao fim da linha.

Na terça-feira a Grécia tem de fazer um pagamento de 750 milhões de euros ao FMI, que o Governo garante que vai honrar, mas a incerteza quanto à capacidade da Grécia fazer mais pagamentos depois deste é muito grande.

Apoio ao Governo em queda

Depois de uma sondagem publicada no sábado pela Marc Poll, realizada para o jornal grego Efimerida Ton Sintakton, em que mostrava uma redução de mais de 30 pontos percentuais nos últimos três meses no apoio ao Governo (em fevereiro, 83,6% dos inquiridos avaliava a atuação do Executivo de forma positiva, enquanto agora apenas 53,2% das pessoas o fazem), hoje mais uma sondagem publicada no Real News mostra que 71,9% dos gregos são favoráveis a um acordo com a zona euro.

Caso a questão fosse colocada a referendo, como o Governo admite fazer, 49,2% dizem que aceitariam mais cortes nos salários e pensões se isso fosse necessário para manter a Grécia no euro.

Crise interna?

Com o tempo a escassear e o Governo grego a suavizar as suas posições, o primeiro-ministro Alexis Tsipras parece estar numa encruzilhada. Num esforço para aproximar posições com os credores internacionais para conseguir o dinheiro necessário para manter a Grécia longe do incumprimento, Tsipras enfrenta uma cada vez maior resistência interna.

A ala mais à esquerda do Syriza estará a aumentar a pressão sobre o líder do Governo, segundo o jornal inglês Guardian.

“Não há dúvida de que ele estará a ter pesadelos sobre trair as ideias a que se agarrou toda a sua vida”, disse ao jornal inglês o professor da Univerdade de Atenas Aristides Hatzis. “Para dar uma tal volta de 180 graus ele vai ter de ignorar todas as suas linhas vermelhas”.