A ONU pediu uma investigação independente as mortes de vários membros da seita evangélica “Luz do mundo” após confrontos com as autoridades angolanas, um caso que tem motivado balanços díspares.

O porta-voz do Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) pediu hoje que seja nomeada uma comissão independente para investigar o caso que opôs a polícia angolana e o grupo milenarista de inspiração cristã, liderado por José Julino Kalupeteka”, dissidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

“Compreendemos que o Governo lançou uma investigação, mas apelamos ao Governo para garantir uma investigação independente”, disse, em comunicado, o porta-voz da ACNUDH, Rupert Colville.

“Têm existido relatórios alarmantes nas últimas semanas sobre um alegado massacre na província central do Huambo em Angola. Temos trabalhado para recolher mais informação sobre o incidente mas os factos permanecem por esclarecer, com grandes diferenças do número de vítimas”.

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Por isso, a ONU pede “um inquérito verdadeiro e independente, com uma rigorosa investigação” que fala um balanço correto do número de vítimas”.

As autoridades referem que morreram nove políticas e 13 civis na sequência de confrontos na Serra Sumé, no Huambo, mas outros relatórios indicam que houve pelo menos uma centena de mortos, enquanto outros assinalam mais de 1.000 mortos, segundo o ACNUDH.

No comunicado, a ONU mostra-se preocupada com a posição do estado angolana sobre aquela confissão religiosa, criticando a atuação dos media estatais que condenaram “violentamente” a seita.

Nesse sentido, “percebemos que alguns dos membros da seita e seus familiares permaneçam escondidos com medo de mais violência”, salientou o porta-voz.

O principal partido da oposição, União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) afirma que 1.080 civis morreram em confrontos entre os seguidores da seita e a polícia angolana, tendo pedido a intervenção da ONU para um “inquérito rigoroso e imparcial”.