Justiça / Caso José Sócrates Seguir Pedidos de Sócrates: 10 mil euros não chegavam para dois dias Entregas de dinheiro a Sócrates ocorriam a um ritmo de três vezes ao mês. Às vezes, 10 mil euros não chegavam para dois dias. Detalhes constam do livro de Fernando Esteves, lançado hoje. Rita Dinis Texto 14 Mai 2015, 09:58 2648 i LUSA LUSA Num ritmo médio de três vezes por mês, José Sócrates recebeu 40 fatias de dinheiro das mãos do empresário e amigo de infância Carlos Santos Silva, durante o ano em que o processo foi vigiado pelo Ministério Público. Havia dias em que pedia 10 mil euros e, dois dias depois, voltava a pedir outros 10 mil. Não a pedir, a ordenar, mais precisamente. Os detalhes das transferências, citados pelo Expresso, constam do mais recente livro sobre os bastidores da vida política de José Sócrates, lançado hoje. Cercado – Os dias fatais de José Sócrates, da autoria do jornalista da revista Sábado, Fernando Esteves, é lançado esta quinta-feira e revela detalhes até agora desconhecidos do público sobre um total de 40 entregas de dinheiro feitas, direta ou indiretamente, pelo empresário Carlos Santos Silva a José Sócrates ao longo de um ano a um ritmo médio de três vezes ao mês. Conta, por exemplo, que, a 2 de abril de 2014 é feita uma entrega, pessoalmente, de 10 mil euros, que Sócrates dizia precisar para pagar à sua secretária, para pagar as contas na sua agência de viagens e para cobrir as despesas com a renda da casa que mantinha em Paris. Dois dias depois, a 4 de abril, Sócrates é escutado a dizer que a quantia não tinha chegado e pedia nova remessa de 10 mil.Ou melhor, ordenava nova remessa. Na verdade, segundo escreve Fernando Esteves, “o Ministério Público sublinha que, nos telefonemas em que solicitava o envio de quantias monetárias, o ex-primeiro-ministro não pedia – ordenava”. É também por isso, continua o autor do livro, que os investigadores “acreditam que o dinheiro, na verdade, lhe pertencia”, ainda que no decurso dos interrogatórios ligados à Operação Marquês, o alegado testa de ferro tenha sempre justificado o tom como “normal”, dada a amizade e proximidade entre os dois que não requer tons “cerimoniosos”.As descrições das entregas são pormenorizadas, descrevendo inclusive como Sócrates ficava sistematicamente sem plafond no cartão de crédito e tinha de voltar a telefonar ao amigo para pedir mais “livros” ou “fotocópias”. Segundo se lê nos excertos do livro divulgados pelo Expresso, esse dinheiro servia basicamente para tudo: “pagar roupa, salários, rendas, condomínios, viagens”. Santos Silva terá admitido ao MP ter entregado um total de 550 mil euros em dinheiro a Sócrates.