Numa edição especial, a revista norte-americana American Psychologist fez um apanhado de mais de quarenta anos de investigação sobre bullying, uma forma de agressão contínua que acontece geralmente em idade escolar.

A edição reúne um conjunto de estudos realizados investigadores norte-americanos e canadianos. Entre eles, encontra-se um artigo assinado por Patricia McDougall e Tracy Vaillancourt, duas investigadores das universidades de Saskatchewan e Ottawa, que procuraram desmistificar as consequências do bullying na idade adulta.

De acordo com o jornal ABC, no artigo, as duas psicólogas defendem que nem todas as vítimas de bullying se tornam adultos inadaptados. Apesar do impacto negativo que esta forma de violência tem durante os anos escolares, podendo afetar profundamente o desempenho académico, a saúde (física e psicológica) e as relações pessoas, não significa que se este prolongue durante a idade adulta.

O bullying (verbal, psicológico, físico ou sexual) é uma forma de agressão contínua, que tem como objetivo causar dano, sofrimento ou mal-estar. O termo foi criado durante a década de 1970, altura em que foi realizado o primeiro grande estudo sobre o tema.

“A tradição dos bullies há muito que faz parte da literatura e da cultura popular. Apesar disso, a intimidação enquanto forma distinta de agressão só foi começou a ser estudada sistematicamente a partir da década de 1970″, explicou Shelly Hymel, professora na Universidade da Colúmbria Britânica, no Canadá. “Desde então, a atenção dada ao tema tem crescido exponencialmente”.

Caracteriza-se por uma repetição e por um abuso de poder. Por norma, existe uma desigualdade de poder entre o agressor e o agredido, que faz com que este último se sinta inibido ou intimidado. Tende também a ocorrer entre grupos sociais familiares e entre pares, como os colegas de escola.