Cientistas da organização norte-americana NOAA identificaram um peixe de sangue quente. Esta descoberta foi publicada na Science e contraria um dogma antigo da biologia: apenas as aves e os mamíferos possuem um sistema fisiológico de regulação do aquecimento do sangue, ao contrário do que acontece com os outros géneros animais.

Os investigadores da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) — o organismo que monitoriza a meteorologia, oceanos e atmosfera — descobriram que a espécie de peixe-lua Lampris guttatus é capaz de aquecer o sangue através da agitação das barbatanas peitorais e, mais importante, controla a perda de calor através de um sistema especial de vasos sanguíneos presentes nas guelras.

Não depender da temperatura da água ou da luz solar para aquecer o sangue é um mecanismo importante para garantir a performance onde a água é muito fria. Foi precisamente o comportamento deste peixe a grandes profundidades, onde se alimenta, que intrigava os cientistas.

Nas profundezas dos oceanos, os peixes (de sangue frio) movem-se devagar e têm um comportamento predatório de emboscada, ou seja, são pouco ativos no movimento, precisamente para não perderem energia e porque o metabolismo diminuiu com o frio. Mas o peixe-lua tem um comportamento ativo, semelhante ao que se observa nos predadores que vivem perto da superfície, onde a água é mais quente.

Outras espécies, tais como os tubarões e o atum, conseguem elevar a temperatura corporal com o movimento natatório, mas não têm a capacidade de a manter. O peixe-lua é, por isso, o primeiro peixe identificado como tendo um mecanismo fisiológico capaz de produzir e manter o sangue quente.