Futuro da Grécia

Alemanha não defendeu, mas falou de moeda paralela para a Grécia

Wolfgang Schäuble admitiu que a Grécia poderá necessitar de uma moeda paralela se não houver progressos nas negociações com os credores. Quem o diz são fontes próximas do ministro alemão.

Schäuble referiu-se, por comparação, ao caso do Montenegro, um país onde circulam euros mas onde existe outra moeda.

DREW ANGERER/EPA

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, tem vindo a discutir a possibilidade de a Grécia necessitar de uma moeda paralela caso não haja progressos nas negociações com os credores nas próximas semanas. Fontes próximas do responsável dizem que esta é uma possibilidade que está a ser admitida, ainda que não esteja a ser defendida pelo governo alemão.

Os comentários à Bloomberg, transmitidos por fontes não identificadas próximas de Schäuble, juntam-se à discussão pública que se arrasta sobre a crise grega e a pressão que está a ser feita, de parte a parte. A Alemanha e, em especial, Wolfgang Schäuble já sugeriu que o governo grego deve promover um referendo (que equivaleria a um referendo à permanência no euro) e surge, agora, a mostrar abertura a algo que vê como uma possibilidade: o recurso a uma moeda paralela na Grécia.

Esta não é, segundo as fontes, um expediente ao qual a Alemanha defende que se deve utilizar. Mas é uma possibilidade. Segundo as fontes, Schäuble referiu-se, por comparação, ao caso do Montenegro, um país onde circulam euros mas onde existe outra moeda, já que não se trata de um país membro da zona euro.

A emissão de moeda própria é uma ideia que tem sido sugerida por alguns economistas que admitem que a Grécia poderá fazer pagamentos internos utilizando notas de crédito (dos seus detentores em relação ao Estado grego) que, no fundo, iriam funcionar como uma moeda paralela já que poderiam, depois, oscilar de valor ao serem transacionadas entre as pessoas e, eventualmente, utilizadas na compra de bens ou serviços. Esse poderia, contudo, ser o início do fim da permanência da Grécia na zona euro, já que a teoria económica sugere que em situações destas a moeda mais forte – o euro – acaba por sair de circulação.

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