Banco de Portugal

Novo Banco. Banco de Portugal contratou assessor para aconselhar sobre fusões

O Banco de Portugal esclarece que a contratação da TC Capital para apoiar venda do Novo Banco é justificada pela necessidade de aconselhamento em matéria de fusões e aquisições.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Banco de Portugal justifica a contratação da empresa TC Capital para apoiar a venda do Novo Banco com a necessidade de aconselhamento financeiro em matéria de fusões e aquisições.

A TC Capital foi contratada por ajuste direto por 800 mil euros para apoiar a venda do Novo Banco. Este contrato junta-se à assessoria entregue também por ajuste direto ao BNP Paribas, num valor que pode ir até 15 milhões de euros, também para assessorar a venda do Novo Banco.

A contratação da TC Capital, cujo contrato produz efeitos a partir de outubro do ano passado, terá gerado, segundo a TSF, algum mal-estar na equipa técnica que prepara a venda da instituição. Em causa está a circunstânciado acionista da empresa ser Phillipe Sacerdot, um antigo diretor-adjunto do banco UBS, onde se cruzou com o vice-governador do Banco de Portugal, António Varela, que é um dos responsáveis do BdP que assinou o ajuste direto.

Em esclarecimento divulgado esta segunda-feira, o Banco de Portugal realça que recorre de forma regular a serviços de assessoria externa em projetos para os quais não tem recursos internos disponíveis e quando são exigidas competências especializadas. A contratação temporária justifica-se pelo carácter transitório destes projetos como é a resolução do BES e a venda do Novo Banco.

É neste quadro que justifica a contratação de consultores financeiros por um valor que poderá alcançar quase 16 milhões de euros se forem pagos os prémios (sucess fee) de 10 milhões e 500 mil euros previstos nos contratos com o BNP e a TC Capital para uma venda bem sucedida do Novo Banco.

O supervisor acrescenta que a contratação destes assessores foi aprovada por deliberação do conselho de administração do Banco de Portugal e não apenas por um administrador, e assegura que os consultores contratados “dispõem de comprovadas qualificações, conhecimento, perfil e credenciais” para os serviços a prestar.

Os preços pagos estão alinhados com os valores de mercado, apesar de nestes dois contratos não haver indicação de consulta prévia ao mercado antes da adjudicação por ajuste direto. No caso da TC Capital, a urgência não era tão grande como quando foi decidida a resolução do BES, que levou à contratação do BNP ainda antes de estar decidida a solução para o Banco Espírito Santo.

Por outro lado, e ao contrário de outras adjudicações por ajuste direto feitas para o caso BES/Novo Banco, no contrato da TC Capital não é especificado o objeto do contrato, sendo apenas referido que se insere no âmbito do projeto Hermes.

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