A divulgação da religiosidade das comunidades ribeirinhas do Tejo e a promoção da cultura avieira são os objetivos do cruzeiro que vai ligar Vila Velha de Ródão à foz do rio, entre 30 de maio a 14 de junho. Na terceira edição, e dividido por sete etapas, o Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo é organizado por associações locais, com os tradicionais barcos a transportarem a imagem de Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo, em peregrinação fluvial às comunidades ribeirinhas e às aldeias avieiras.

“Este cruzeiro é todo ele realizado por embarcações típicas do Tejo, como o tradicional picoto e a bateira, que transportam a imagem de Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo, está ligado à candidatura da cultura avieira a Património Nacional Imaterial e da Unesco e tem como objetivos específicos o reforçar da identidade das comunidades, aproximando-as através da partilha cultural e religiosa”, disse à agência Lusa Rui Rodrigues, um dos elementos da comissão organizadora.

Segundo o presidente da Assembleia Geral da ENVOLVE – Associação para o Desenvolvimento Local, de Rossio ao Sul do Tejo, em Abrantes, durante as sete etapas “vão suceder-se diversas paragens e pernoitas dos peregrinos em comunidades ribeirinhas ao longo do Tejo, com cerimónias religiosas e eventos culturais”, organizados pelas associações locais em parceria com as autarquias, agrupamentos de escolas e entidades privadas.

Esta peregrinação fluvial envolve 37 paróquias, 30 freguesias e 20 concelhos. “Importa unir as comunidades ribeirinhas para a defesa ambiental do Tejo, preservação e divulgação da sua história, património, cultura, turismo e demais potencialidades, e para que as pessoas se virem de novo para o Tejo e dele possam desfrutar em toda a sua plenitude”, sublinhou o dirigente associativo.

O responsável da ENVOLVE, que partilha a organização do evento com a APCA-Associação para a Promoção da Cultura Avieira e a AIDIA-Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça, sublinhou o “crescente número de peregrinos e espetadores” participantes. “Em 2014, contabilizámos cerca de cinco mil pessoas e mais de 200 embarcações que se juntaram à comitiva ao longo das diversas etapas”, disse.

A primeira etapa principia no sábado, 30 de maio, e vai ligar Vila Velha de Ródão a Belver/Ortiga, no concelho de Mação. No domingo, o cruzeiro vai continuar a descer o Tejo, ligando as localidades de Ortiga (Mação) a Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes).

Os avieiros, apodados de “ciganos do Tejo” por Alves Redol, que lhes dedicou um livro (Avieiros, publicado pela Caminho), eram pescadores de Vieira de Leiria que desciam ao Tejo e ao Sado sazonalmente para aí fazerem melhor colheita de pesca. Com o passar dos anos, foram-se instalando nas margens do Tejo, entre Vila Franca de Xira e Santarém, onde construíram típicas casas palafitas.