Alimentação

Quase todas as crianças em Portugal consomem sal acima do recomendado pela OMS

93% ingerem sal acima das recomendações da Organização Mundial da Saúde e 25% consome quantidades "astronómicas" que chegam a triplicar os valores aconselhados.

A ingestão de sal recomendada pela OMS é "até cinco gramas por dia", mas há crianças em Portugal a consumir 17

Quase todas as crianças portuguesas (93%) ingerem sal acima das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e 25% consome quantidades “astronómicas” que chegam a triplicar os valores aconselhados, revela um estudo da Universidade do Porto.

Uma das conclusões do estudo sobre hábitos alimentares das crianças portuguesas, a que a Lusa teve hoje acesso, indica que 93% das crianças ingere sal a mais do que é recomendado pela OMS e que 54% ingere sal acima do máximo tolerável, tendo apenas 8% das crianças ingerido as quantidades de potássio (legumes e fruta) necessárias.

O “campeão do consumo excessivo” de sal foi um menino que consumiu 15 gramas de sal e uma menina que chegou a 17 gramas de sal, contou, em entrevista telefónica à Lusa, Pedro Moreira, coordenador do estudo da Universidade do Porto, que contou com a colaboração da Direção Geral da Saúde e foi solicitado pela OMS.

“São valores absolutamente astronómicos (…). Para além destes 93% estarem a ingerir sal acima dos valores recomendados pela OMS, há 25% de crianças que consomem quantidades astronómicas de sal”, ou seja 12,5 gramas os rapazes e 11,7 ou mais as raparigas, concretizou o especialista.

A ingestão de sal recomendada pela OMS é “até cinco gramas por dia”, mas há crianças em Portugal a consumir 17 gramas de sal por dia, ou seja a mais que triplicar os valores aconselhados.

O estudo realizado a 163 crianças (81 meninos), com idades entre oito e dez anos e a frequentar escolas públicas do ensino básico do Porto foi feito com base na recolha de urina durante 24 horas e respetivo doseamento de sal (sódio), tendo sido também avaliado o consumo de potássio, que se encontra nos legumes e fruta e contraria os efeitos indesejáveis do excesso de sal.

Em termos globais, os resultados estavam “maus nas duas vertentes: sódio a mais que é a parte má do sal, e os valores de ingestão de potássio eram muito baixos” ou seja as crianças estão a comer poucos legumes e frutas para combater os malefícios do sal, disse o investigador.

Pedro Moreira, que é professor e diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, alerta que o perigo de as crianças consumirem sal em excesso, pois podem transformar-se em crianças com maior “vulnerabilidade a mais pressão arterial, que depois evoluem para um maior risco de hipertensão arterial e respetivas doenças associadas”.

Relatórios recentes indicam que um consumo excessivo de sal dentro da região europeia, sendo estimado que reduzir a ingestão de sal, pela metade, levaria a uma queda dramática na doença cardíaca coronária.

A OMS estabeleceu com a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, um contrato para realizar uma análise transversal que avaliasse o consumo de sal em grupos vulneráveis, como as crianças.

O investigador refere que este estudo é o primeiro trabalho publicado em crianças portuguesas destas idades avaliando simultaneamente a ingestão de sódio e potássio através da excreção urinária.

 

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