O físico e divulgador científico António Manuel Baptista morreu no sábado aos 91 anos, tendo deixado vasta obra na área da investigação, anunciou este domingo a família. O Ministério da Educação e Ciência (MEC) lamenta a morte do físico e professor António Manuel Baptista, considerando-o “um homem generoso, conversador vivo e inteligente, extremamente culto e corajoso”.

Em comunicado, o MEC lembra que António Manuel Baptista foi “académico, autor, divulgador científico e interventor nos debates sobre a filosofia de ciência e o ensino”. “O professor António Manuel Baptista foi um dos pioneiros em Portugal da física nuclear ao serviço da medicina”, refere o Ministério, acrescentando que o académico foi também diretor do Laboratório de Isótopos do Instituto Português de Oncologia, de 1961 a 1983.

Nos anos 1960, a atividade de António Manuel Baptista – que trabalhou no Medical Research Council e no Royal Câncer Hospital de Londres –, enquanto divulgador científico, marcou gerações de jovens e de futuros cientistas, assim como despertou a comunidade académica portuguesa para a importância da comunicação da ciência, acrescenta o documento do MEC.

Graduado da International School of Nuclear Science and Engineering (Laboratório Nacional da Argonne – EUA), os seus trabalhos de investigação distribuem-se por várias áreas, entre as quais Eletroquímica, Física dos Neutrões, Aplicação e Isótopos em Medicina, medidas de Radioatividade, Medicina Nuclear, Física Médica e Radioterapia.

Publicou estudos e artigos em várias revistas científicas internacionais e desde 1961 desenvolvia programas de divulgação científica na rádio, na televisão e na imprensa, que lhe mereceram os prémios de Imprensa (1969) e de Televisão (1981).

“Nas últimas décadas da sua longa e produtiva vida interveio frequentemente como uma voz lúcida em defesa do racionalismo crítico e da ciência, criticando vivamente o relativismo e o pós-modernismo”, destaca o MEC.

A sua atenção ao ensino da matemática e das ciências levou-o a ser convidado para presidir a uma Comissão para a Promoção do Estudo da Matemática e das Ciências, nomeada pelo então ministro da Educação David Justino.

De António Manuel Baptista, o MEC recorda ainda o homem “sempre vivamente interessado na ciência e na educação rigorosa e exigente e sempre confiante no papel da razão e da ciência.”

O corpo de António Manuel Baptista está este domingo, a partir das 17 horas, na Igreja de São João de Deus, na Praça de Londres, em Lisboa e o funeral seguirá, na segunda-feira à tarde, para Almeirim, sua terra natal.

Atualizado às 19h00