Hoje morrem menos pessoas devido a ataque cardíaco, mas estão a morrer mais pessoas devido a obesidade e diabetes, revela um novo relatório da OCDE sobre doenças cardiovasculares e diabetes. Desde 1960, a mortalidade por doenças cardiovasculares diminuiu em 60% e a mortalidade por outras razões diminuiu 38% nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), apesar de as doenças cardiovasculares continuarem a ser a principal causa de morte na maioria dos países da organização. 

Antes de 1985, as doenças cardiovasculares matavam uma em cada duas pessoas nos países da OCDE. Em 2011, a proporção diminuiu para uma em cada três pessoas. Ainda assim, as taxas de obesidade e diabetes estão a crescer: aproximadamente 85 milhões de pessoas têm diabetes e esse conjunto representa 7% das pessoas entre os 20 e os 79 anos. Estima-se que em 2030 esse número cresça para 108 milhões de pessoas, o que representará 27%.

Em relação às taxas de diabetes, por exemplo, no México, Chile, Portugal, EUA e Polónia, a prevalência da diabetes excede os 12% nas pessoas entre os 40 e os 59 anos, comparando com a média de 8,9% da OCDE neste grupo de idades. A obesidade afeta hoje uma em cada cinco pessoas nos países da OCDE.

As razões para a diminuição da mortalidade são várias: os avanços na prevenção e no tratamento das doenças cardiovasculares ultrapassaram os registados em outras doenças, e esses avanços contribuíram para vidas mais longas e saudáveis. As taxas de tabagismo diminuíram praticamente em todos os países da OCDE, resultando num impacto das doenças cardiovasculares. Outra das razões está nas inovações tecnológicas que fazem com que se possa diagnosticar fatores de risco das doenças cardiovasculares, como colesterol alto ou pressão arterial, controlar a diabetes e até responder de forma mais eficaz a situações como um ataque cardíaco. Há um maior acesso a programas, serviços e tecnologias de saúde, ressalva o documento.

O estudo aponta vários desafios para o futuro: os níveis elevados de fatores de risco como a obesidade e a diabetes, atrasos no diagnóstico de fatores de risco das doenças cardiovasculares, falta de adesão aos tratamentos recomendados, o envelhecimento da população que leva a uma maior complexidade nas necessidades de cuidados de saúde e algumas lacunas no acesso a cuidados especializados.