A Fundação José Saramago, em Lisboa, vai estar aberta esta quinta-feira, de manhã à noite, com vários eventos gratuitos que assinalam o quinto aniversário da morte do único Nobel português da Literatura. O público vai poder ler um texto inédito do escritor.

“Contar os anos pelos dedos e encontrar a mão cheia” foi a frase escolhida para a capa da revista Blimunda, que a Fundação publica todos os meses. Cinco anos depois da morte de José Saramago, a 18 de junho de 2010, Pilar del Río destaca o quanto a memória do escritor está viva, em Portugal e no estrangeiro. O destaque do número 37 da revista inclui as notas preparatórias que escreveu para o livro Ensaio Sobre a Lucidez, um texto inédito que estará disponível a partir de quinta-feira, aqui.

Logo a partir das 10h00, quem se deslocar à Casa dos Bicos, onde está sediada a Fundação, vai poder ver as ilustrações que André Letria criou para o livro infantil A Maior Flor do Mundo, que Saramago publicou em 2001.

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Às 11h30, vai ser exibido, em estreia, o documentário “Um Humanista por acaso Escritor”, realizado pelo brasileiro Leandro Lopes. O filme vai estar nos cinemas brasileiros e pretende dar uma visão do mundo pelas lentes “desassossegadas” de José Saramago. Como parte da homenagem, foram feitos uns óculos a partir dos originais que Saramago usava e o visitantes vão poder experimentá-los, bem como tirar fotografias.

Às 21h00, a atriz Maria do Céu Guerra vai ler excertos da obra do autor de Ensaio sobre a Cegueira, seguindo-se um concerto de João Afonso e Rogério Cardoso Pires.

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Pilar del Río segura os óculos que os visitantes vão poder usar e o caderno original agora encontrado. ©Sara Otto Coelho

No encontro com os jornalistas, Pilar del Río anunciou também a descoberta de um texto de teatro escrito por José Saramago e Costa Ferreira, no final dos anos 1970. “Está aqui Saramago”, disse a viúva do escritor. Há anos que Pilar o tinha no gabinete que ocupa na Fundação, pensando ser outra obra. “O Fim da Paciência” nunca chegou a ser apresentado nos palcos. Depois da descoberta, deverá ser publicado, não se sabe ainda se pela Alfaguara, se pela Porto Editora. “Por enquanto, a prioridade da Porto Editora é fazer chegar às livrarias as quatro obras que faltam reeditar para completar a nova coleção, A Jangada de Pedra (1986), Objeto Quase (1978), Terra do Pecado (1947) e Todos os Nomes (1997) e o Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), disse ao Observador Manuel Alberto Valente.

Durante os próximos meses haverá uma mão cheia de referências internacionais ao português que venceu o Nobel da Literatura em 1998. Uma das principais é a exposição que está a ser organizada no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no Brasil, e que se estima que abra as portas em 2016. Pilar del Río admitiu que falou com o diretor do museu, Antonio Carlos de Moraes Sartini, sobre a hipótese de a exposição ser posteriormente mostrada em Portugal, mas ainda não existem certezas.

Destaca-se também o Congresso Internacional sobre os Deveres Humanos que se vai realizar no México, a 24 e 25 de junho. A ideia é fazer o esboço de uma “Carta dos Deveres Humanos”, que José Saramago sugeriu no seu discurso em Estocolmo, em 1998, quando recebeu o Nobel.

Na capital italiana, Roma, vai ser apresentada uma ópera baseada no romance As Intermitências da Morte. Em Espanha, vai subir ao palco o Ensaio sobre a Cegueira, pela companhia Sarabela, na Galiza, e O Homem Duplicado, em Madrid.