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Oito razões por que a Madeira dá bailinho

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Atenção: não se trata de nenhum tratado histórico sobre a típica dança madeirense. É, isso sim, um roteiro que prova, em oito sugestões, por que é que a Madeira dá um bailinho a muitas outras ilhas.

Ao nível da vista do Choupana Hills só mesmo o que se come no respetivo restaurante.

© Tiago Pais / Observador

Autor
  • Tiago Pais

Diz-se, normalmente, que é impossível agradar a gregos e troianos. A formulação aplica-se também ao turismo: é caso raro encontrar um destino capaz de receber, com a mesma eficácia, quem dê prioridade ao descanso, à gastronomia local, às emoções fortes ou a paisagens arrebatadoras. Quando o território em questão é uma ilha, então, será quase inevitável — pelas limitações geográficas inerentes a essa condição — que algum desses perfis de turista fique pior servido. Mas, como em tudo na vida, uma regra não dispensa as suas exceções.

Bem-vindo à Madeira

Se há território insular capaz de pôr em causa a aparente impossibilidade descrita na primeira frase é a Madeira. Mesmo deixando de lado, para efeitos deste roteiro, o vizinho Porto Santo e a respetiva praia, a oferta da ilha consegue, abranger um leque variado de opções. Surpreendentemente variado, aliás. É como se um restaurante que julgávamos servir apenas os mesmos três ou quatro pratos guardasse este tempo todo, afinal, uma ementa secreta com várias dezenas de páginas.

Assim, qualquer que seja a preferência do visitante — da comida ao passeio, do mergulho à contemplação — difícil é não encontrar propostas tentadoras. O Observador selecionou oito delas, com ajuda da plataforma Discovering Madeira.

1. A cozinha marítimo-criativa do Xôpana

Mais emocionante do que aterrar na Madeira num dia de vento forte só mesmo sair do aeroporto e ir diretamente para a estrada que sobe a colina acima do Funchal. Principalmente se o nevoeiro, que é frequente na região, der um ar de sua graça. Se não der, é de aproveitar a vista do Choupana Hills Resort & Spa sobre a capital madeirense para um aperitivo, antes de avançar para o restaurante do complexo. O Xôpana pode não ter a estrela Michelin do famoso Il Gallo D’Oro — nem é esse o objetivo — mas tem a cozinha criativa do chef Júlio Pereira, um homem do continente apaixonado pela ilha e pelos seus produtos. Sobretudo o peixe, que tem grande preponderância na carta. Destaque para as sardinhas marinadas em água do mar, os peixes do Atlântico em sopa Thai ou o atum com puré de maçã e caril. Conte com preços a rondar os 35€ por pessoa.

2. A diversidade do Armazém do Mercado

“Dizem-me que este projeto podia estar em qualquer capital europeia, mas eu quero mesmo é que esteja aqui.” As palavras são de Francisco Costa, responsável pelo Armazém do Mercado, espaço que nasceu, em dezembro último, da conversão de uma antiga fábrica de bordados e de uma oficina automóvel num complexo multidisciplinar — e aqui justifica-se o chavão — que reúne áreas de workshops, uma praça para acolher eventos, restauração, ateliês, lojas e até um curiosíssimo Museu do Brinquedo. E não se pense que este é coisa (só) de crianças: o espólio de mais de 20 mil brinquedos do arquiteto José Manuel Borges Pereira está espalhado por quase uma dezena de salas temáticas, várias delas capazes de transformar gente crescida em miúdos boquiabertos.

3. A paisagem (e o elevador) da Fajã dos Padres

Chamam-lhe uma “ilha dentro da ilha”, o que faz algum sentido, se tivermos em conta que até 1998 era apenas acessível por barco. Hoje, consegue aceder-se à Fajã dos Padres também através de um elevador panorâmico — ao que se juntará, em breve, um teleférico. É uma estrutura de respeito: trata-se do elevador público mais alto da Europa, que percorre uma falésia com 250 metros em cerca de quatro minutos. As sensações variam entre o pasmo e a vertigem, dependendo do à vontade do visitante com alturas. Uma vez na fajã — a expressão significa “terra baixa e plana resultante do desprendimentos de uma encosta ou arriba — pode mergulhar-se a partir do pontão, fazer uma refeição no restaurante local à base de cozinha regional ou visitar (com marcação) a vinha contígua, que foi a primeira em toda a ilha a receber a casta malvasia, trazida da ilha grega de Creta em meados do século XIX. A propriedade inclui ainda oito casas recuperadas de tipologia T1, a funcionar em regime de turismo rural.

4. A flora dos Jardins do Palheiro

Mais conhecidos pelo nome em inglês, Palheiro Gardens, os jardins que ficam nas imediações da Casa Velha do Palheiro podem ser visitados pelo público em geral e não apenas pelos hóspedes do hotel. Podem e devem. Principalmente por quem tenha especial apreço por árvores de todo o mundo: a variedade de espécies ali plantada vem de paragens tão distantes como Macau, Nova Zelândia ou Brasil. Se a visita abrir o apetite, o restaurante do hotel, A Sala de Jantar da Casa Velha, tem pergaminhos na formação de grandes cozinheiros: foi nesta cozinha que Benôit Sinthon, o chef francês que tem a única estrela Michelin da ilha, começou a sua carreira.

5. O chá à inglesa do Reid’s

Por muito que o turismo na Madeira esteja a mudar, o Reid’s será sempre um clássico intemporal. O hotel, inaugurado em 1891, já depois da morte de William Reid, o escocês que o mandara construir, alojou, ao longo da sua história, algumas das figuras mais ilustres que passaram pela ilha. Duas delas dão, ainda hoje, nome às suites presidenciais: Winston Churchill e George Bernard Shaw. O chá à inglesa — servido não às cinco mas sim a partir das três — continua a ser um dos maiores cartões-de-visita do Reid’s. Não só entre muitos turistas, hospedes ou não do hotel, mas também entre alguns locais. Não é barato (custa 33€ por pessoa) mas inclui uma escolha vasta de sanduíches em miniatura, pastelaria de autor, scones feitos na hora, além, claro, de uma seleção de chás britânicos. Quem pretender levar a coisa para outro patamar poderá brindar com champanhe, outra das bebidas disponíveis. Não convém é sair da piscina diretamente para o evento: os clientes são aconselhados a vestir-se de forma smart casual.

6. Os passeios em sidecar pela ilha

Apesar de hoje ser possível percorrer toda a ilha da Madeira de forma rápida e confortável, através dos túneis e vias rápidas que foram construídos nas últimas décadas, as estradas secundárias continuam a ser a melhor forma de apreciar a paisagem envolvente enquanto se avança no território. Daí a opção de Filipe Freitas, responsável pela Madeira Sidecar Tours, em optar sempre pelas deslocações por estas vias nos passeios que organiza. A empresa, que Filipe formou depois de ter experimentado a sensação de passear em sidecar por Barcelona, tem vários roteiros predefinidos, com durações e destinos variados. Enquanto se vai progredindo na estrada, o guia vai comunicando com os passageiros (podem ser dois: um no sidecar e outro à pendura) através dos capacetes. Estes também têm a possibilidade de desenhar a sua própria rota. Os preços andam pelos 40€ para passeios de uma hora a que se somam mais 30€ por cada hora extra.

7. O miradouro envidraçado do Cabo Girão

Com quase 600 metros de altura, o Cabo Girão é a segunda falésia mais alta do planeta. Não será, por isso, de estranhar a recente distinção da Condé Nast, que o considerou um dos penhascos com melhor vista em todo o mundo. Melhor do que a vista arrebatadora sobre o Atlântico e Câmara de Lobos só mesmo o chão envidraçado da plataforma que fica na ponta do miradouro, capaz de provocar um frio na barriga do mais destemido dos visitantes. Mas é seguro, nada tema.

8. As águas cristalinas da Ponta de São Lourenço

Em redor da ponta mais a leste da ilha, batizada de São Lourenço em honra da embarcação que levou João Gonçalves Zarco à Madeira, concentram-se alguns dos melhores pontos para fazer mergulho em toda a região. E a afirmação é válida tanto para mergulhadores experientes como para aqueles que nunca vestiram, sequer, um fato. Para comprovar a afirmação, nada como rumar à marina do resort Quinta do Lorde, no Caniçal, e, a partir daí, escolher uma das opções disponíveis. Se o objetivo for, simplesmente, fazer um passeio de barco à volta da ponta, com direito a ir a banhos (e, com sorte, avistar baleias e golfinhos), os barcos de Lourenço Sardinha são a melhor hipótese. Mas se o mergulho se revelar uma tentação irresistível, o melhor será optar por um dos cursos da Azul Diving Center. O restaurante do resort é uma excelente opção para matar o apetite aberto pelo mar. Se houver polvo — apanhado ali bem perto — nem pense duas vezes.

O Observador viajou a convite da plataforma Discovering Madeira.

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