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Astronomia

Vénus e Júpiter vão juntar-se esta semana – aos nossos olhos

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Apesar de Vénus e Júpiter estarem a cerca de 670 milhões de quilómetros, têm passado o mês de junho a aproximar-se na esfera celeste. Vão encontrar-se no final do mês... mas só aos nossos olhos.

A conjunção de Vénus e Júpiter (dois ponto mais brilhantes em cima) vista a partir do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, em 2009. O ponto mais brilhante em baixo é a Lua

ESO/Y. Beletsky

Este fim de semana os dias estarão demasiado quentes para passar muito tempo na rua, mas isso significa que pode aproveitar as noites agradáveis para observar o céu. Durante os próximos dias poderá assistir à “dança” do deus do deuses com a deusa do amor, que é como quem diz: Júpiter e Vénus vão estar muito próximos no céu nos últimos dias do mês de junho.

A constelação Leão vai servir de ponto de encontro ao maior planeta do sistema solar (Júpiter) e ao mais brilhante (Vénus). Pelo menos aos olhos de quem está na Terra. Na verdade, nem os planetas vão cruzar as órbitas, nem as estrelas que fazem parte da constelação estão assim tão próximas umas das outras. Esta aproximação, até ficarem quase sobrepostos (mas só aos nossos olhos), tem o nome de conjunção.

Os dois planetas estarão visíveis assim que o Sol cruzar o horizonte. Olhando a oeste, ainda durante o crepúsculo, estes dois pontos brilhantes destacam-se imediatamente. Veem-se ainda antes de aparecerem as primeiras estrelas no céu e estarão visíveis até por volta das 23h30.

Vénus e Júpiter veem-se a oeste na constelação Leão (céu de 17 de junho, às 22 horas) - OAL/FCUL

Vénus e Júpiter veem-se a oeste na constelação Leão (céu de 17 de junho, às 22 horas) – OAL/FCUL

Distinguem-se das estrelas (ou de planetas mais distantes) porque são muito mais brilhantes e porque conseguimos ver um disco (pelo menos com telescópio ou binóculos), enquanto as estrelas, aos nossos olhos, não são mais do que pontos. Normalmente distinguimos as estrelas dos planetas porque estas cintilam. Na verdade, a cintilação é um efeito causado pela nossa atmosfera. A forma como a atmosfera afeta a luz que chega dos astros nota-se mais nos objetos pontuais (parecendo que ora têm luz, ora não têm) do que nos objetos dos quais conseguimos ver um disco, porque o tamanho do disco sobrepõe-se ao efeito das pequenas interferências.

No céu visto da Terra, Júpiter e Vénus serão os terceiro e quarto objetos mais brilhantes, ficando apenas atrás do brilho do Sol e da Lua. Portanto, a não ser que subitamente o céu fique nublado, não tem como perdê-los de vista. Estes dois planetas passaram o mês de junho a aproximar, com Vénus a deslocar-se mais rápido na direção de Júpiter – Vénus percorre a órbita à volta do Sol a uma velocidade de 35 quilómetros por segundo (km/s), enquanto a velocidade de Júpiter é “apenas” 13,1 km/s.

Aproveite 30 de junho e 1 de julho para os ver o mais próximo possível (conjunção), porque não voltará a acontecer até dia 27 de agosto de 2016, segundo a página do EarthSky. No mesmo site pode encontrar várias fotografias sobre a aproximação dos dois planetas.

A posição relativa de Vénus, Júpiter e Regulus no dia 26 de junho - Solar System Scope

A posição relativa de Vénus, Júpiter e Regulus no dia 26 de junho – Solar System Scope

Um desafio adicional é tentar encontrar Regulus, a estrela mais brilhante da constelação Leão que vai aparecer mais ou menos alinhada com Vénus e Júpiter, ajudando a desenhar uma linha imaginária – a eclíptica. Esta linha imaginária que se pode traçar durante a noite com a ajuda de alguns astros, como a estrela Regulus, corresponde à trajetória do Sol no céu durante o dia.

Para explorar a conjunção de Vénus e Júpiter, o alinhamento com Regulus ou a posição relativa dos planetas, hoje, nos próximos dias ou daqui a uns meses, experimente a ferramenta online Solar System Scope – e divirta-se.

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