Em honra do santo padroeiro de Pamplona, San Fermín, ou São Firmino, em português, todos os anos milhares de pessoas juntam-se naquela cidade espanhola. Não exatamente para acender velas e rezar, mas sim para cantar, dançar, beber e fugir dos touros na rua. As festas de San Fermín arrancaram esta segunda-feira. Espera-se que no final, a 14 de julho, não haja vítimas a registar.

O “chupinazo”, ou lançamento do foguete inicial, aconteceu esta segunda-feira ao meio-dia (11h00 em Lisboa), como sempre, na Praça Consistorial de Pamplona. Milhares de pessoas vestiram-se de branco e vermelho e, sem medo de multidões e apertos, juntaram-se para o primeiro de nove dias de uma das maiores festas de Espanha.

Entre a multidão contam-se, claro, muitos espanhóis. Mas também um número crescente de turistas à procura do ambiente que Ernest Hemingway descreveu em 1927, no livro Fiesta (O Sol Nasce Sempre, na publicação em português). Uma das principais referências do livro são os touros e o papel central que ocupam na festa. Em 1927, a questão do bem-estar animal não se colocava tanto como atualmente. Não é por isso de estranhar que, dois dias antes do “chupinazo” de hoje, vários manifestantes se tenham pintado de vermelho e deitado nas ruas, em protesto pelo tratamento dado aos touros.

Certo é que a festa vai terminar a 14 de julho na grande corrida dos touros, conhecida como “encierro”. Os touros são largados nas ruas estreitas da cidade e os mais corajosos correm à sua frente, num percurso de 800 metros que termina na Praça de Touros de Pamplona. Desde 2009 que não se registam mortos, mas há quase sempre feridos depois de cada correria. Mas no ano seguinte, é certo que as ruas voltarão a estar cheias para celebrar San Fernín.