Quando foi apresentado aos adeptos e sócios do Sporting na semana passa, Jorge Jesus não assumiu claramente que queria ser campeão, apenas disse que passava a haver três candidatos ao título em Portugal. Este domingo, em entrevista à SIC Notícias, já foi mais longe. “Acredito que vou [ser campeão na primeira época], como é óbvio”, disse. “Acredito no meu trabalho”, afirmou de seguida, para mais tarde reforçar: “a exigência do Sporting é ser campeão”.

O novo treinador do Sporting deu este domingo a primeira entrevista e revelou que foi por não se ter sentido desejado no Benfica que trocou este clube pelo eterno rival. “Durante estes seis anos, sempre me senti um treinador desejado no Benfica. Neste último ano, não senti isso. E outro clube aproveitou”, explicou Jorge Jesus, logo no início de uma entrevista/debate que durou duas horas.

Jesus não quis entrar em grandes detalhes sobre a saída do Benfica, dizendo apenas que já leva muito tempo de carreira para saber certas coisas:

“Com a experiência que tens como treinador, sabes perfeitamente quando te querem”

Depois, sobre a saída para o Sporting, clube do coração do qual é sócio há anos, disse mais tarde que o pai, que jogou em Alvalade nos anos 1940, acabou por pesar na decisão. “Houve um pouco de sentimento”. Ainda assim, Jesus não tinha como especial objetivo chegar ao outro lado da Segunda Circular:

“Nunca foi um sonho treinar o Sporting. Se me perguntasse se sonhava treinar um grande quando estava em Braga, aí digo-lhe claro que sim.”

A passagem entre clubes foi pacífica, como depois explicou:

“A conversa com o Sporting foi fácil, fácil. Não hesitei nem discuti nada, veja lá. Nem verbas discuti”

Sobre verbas, adiantou a seguir que recebeu várias propostas de clubes estrangeiros. “Se eu dissesse… você nem acredita”. Lá acabou por dizer que teve convites para receber “6 milhões de euros [líquidos]. E até oito” de clubes como “Milan, Inter, Nápoles e Roma”, disse depois.

Mas não foi o dinheiro nem as alegadas pressões de Luís Filipe Vieira para que Jesus usasse mais os jogadores da formação que empurraram o treinador para fora da Luz. “A minha decisão não teve nada a ver com uma mudança desportiva do Benfica daqui para a frente”, afirmou. E com Vieira, como ficaram as coisas?

“Não confundo a amizade com Luís Filipe Vieira com a relação profissional.”