O eurodeputado do CDS, Nuno Melo, veio defender que uma reestruturação da dívida grega é “um absurdo” no rescaldo da vitória do ‘Não’ no referendo grego, uma posição que encontra eco à direita por oposição aos que na esquerda pedem um imediato perdão.

Nuno Melo explicou ao Observador que a Grécia teve uma reestruturação da dívida em novembro de 2012 e que nessa altura ficou acordado uma nova reestruturação se o país cumprisse um plano de reformas e de sustentabilidade das finanças. O alívio, diz, traduziu-se em menos 75 mil milhões de euros e houve uma moratória de 10 anos para o empréstimo da UE. Não tendo o atual Governo cumprido o acordado pela Grécia (então liderada por Samaras), deixa de fazer sentido falar-se em nova reestruturação, considera.

Esta posição resume muito do pensamento dos partidos de direita, PSD e CDS, que estão no Governo e que se negam a admitir qualquer perdão da dívida grega (e ainda qualquer perdão da dívida portuguesa por arrasto). Neste momento, olham para o que se está a passar na Grécia na perspetiva de que a prioridade é o financiamento do país para fazer face às despesas correntes e combater a degradação da economia (que vale cerca de 2% PIB da zona euro).

“A zona euro insta a que cada um dos credores não possa negar solidariedade para a Grécia se manter na zona euro mas com contrapartidas. A solidariedade tem dois caminhos”, insiste Nuno Melo, considerando que “a Europa tem regras que são iguais para todos”. “Imagine se os países do Báltico começassem a referendar o apoio que dão à Grécia”, sugere, na mesma linha do eurodeputado do PSD, Paulo Rangel, que na noite de domingo dizia ao Expresso que essa via também seria considerada desadequada.

O ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Mário David, por seu lado, compara a atual situação com a de uma pessoa “que, depois de ter deixado de pagar a prestação da casa ao banco vai ao mesmo banco pedir um novo empréstimo para comprar um carro”. Em declarações ao Observador, acrescenta ainda que as opiniões públicas dos restantes países da União Europeia “não concordarão” com novos empréstimos sem contrapartidas da Grécia.

É por isso que Passos tem dito que não se pode esquecer os países europeus que “emprestaram muito dinheiro” à Grécia e, perante o resultado do referendo, que agora cabe aos gregos apresentarem uma solução e “escolher se querem ou não permanecer no euro”.

Nos últimos dias, o Governo, através do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, tem vincado que a situação de Portugal é muito diferente da da Grécia, afastando qualquer tipo de comparações, enquanto o PS acusou o Governo português de falta de solidariedade em relação ao povo grego.