A Polícia Judiciária (PJ) está, esta terça-feira, a fazer buscas na Câmara Municipal de Braga, onde está a verificar documentação e ficheiros informáticos. Um funcionário camarário e um técnico foram detidos.

Os detidos, um funcionário camarário e um agente técnico de arquitetura e engenharia, respetivamente com 54 e 48 anos de idade, “vão ser presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas”, informou a PJ, em comunicado.

Esta é a primeira vez que a PJ realiza buscas nas instalações do município, mas não é a primeira vez que as visita. Aliás, os inspetores têm visitado regularmente a Câmara Municipal de Braga, onde têm mantido reuniões com colaboradores, no âmbito de uma série de processos que estão a ser investigados pelo Ministério Público.

Entre esses processos estão, segundo o presidente da autarquia, a expropriação da Casa das Convertidas, uma parceria público privada (PPP), a concessão do estacionamento à superfície e a queda de um muro que em 2014 matou três estudantes.

Na altura, em declarações à Lusa, o autarca Ricardo Rio garantiu que “não houve buscas, nem apreensões nem nada do género, mas coisas normais”, sendo que, “quando há investigações em curso, é natural que sejam solicitadas e recolhidas informações”.

Rio lembrou que estão a decorrer investigações a vários “dossiês” envolvendo a autarquia, nomeadamente a “casos” que envolvem o anterior executivo de maioria socialista mas também um decorrente de uma denúncia do atual líder socialista da oposição, Hugo Pires.

A investigação está a ser feita através do Departamento de Investigação Criminal de Braga, no âmbito de inquérito titulado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Braga, onde se investigam crimes de corrupção, tráfico de influência, fraude fiscal, branqueamento de capitais e falsificação de documento. Para além dos dois mandados de detenção, foi dada ordem para serem efetuadas “várias buscas, domiciliárias e não domiciliárias, assim como ao arresto e apreensão de bens”, escreve a PJ em comunicado.

A “batalha contra a corrupção” em Braga continua

A Câmara Municipal de Braga reagiu através de um comunicado, onde frisa que “a batalha contra a corrupção” no município “continuará a ser travada todos os dias”.

A câmara garante que o executivo “tudo fez e fará” para que a relação dos bracarenses com a autarquia “seja assente numa base de total confiança e transparência, de equidade de acesso e de lisura de procedimentos em todas as áreas de intervenção do município”. “A batalha contra a corrupção no Município de Braga continuará a ser travada todos os dias, tendo como aliados o executivo municipal, os colaboradores da autarquia, os cidadãos e as instâncias judiciais”, pode ainda ler-se.