A Associação de Professores de Matemática (APM) e a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) declararam-se esta quinta-feira surpreendidas com os resultados das provas finais do 9º ano, e manifestaram preocupação com as notas médias da disciplina.

“Quero expressar preocupação de forma global por estes resultados. São valores que ainda nos preocupam, mas a comparação com os resultados do ano anterior não pode ser feita de forma tão linear”, disse à agência Lusa a presidente da APM, Lurdes Figueiral, a propósito dos resultados das provas finais de Matemática do 9.º ano de escolaridade, hoje divulgados.

Para a responsável, há duas razões principais que podem explicar os resultados negativos à disciplina, que surpreenderam a APM, depois de a associação ter considerado, no dia em que se realizou o exame, que este era pouco desafiante, com conteúdos básicos e matéria de anos anteriores, e com questões muito semelhantes a outros anos.

Por um lado, defendeu Lurdes Figueiral, houve uma deslocação da percentagem de alunos com classificações de nível dois (nível negativo) para o nível um (a classificação mais baixa). “Este ano a percentagem de alunos que correspondem ao nível um subiu para mais do dobro. Em 2014 houve 197 provas classificadas nesse nível e, em 2015, há 1580. Essa subida em valores tão extremos da escala faz alterar muito a média”, defendeu.

Por outro lado, Lurdes Figueiral culpa a falta de apoio escolar para os alunos com maiores dificuldades, criticando os “efeitos perversos” da atribuição de crédito horário (horas adicionais concedidas às escolas para trabalho com alunos), àquelas que obtêm melhores resultados e que, por isso mesmo, menos precisam.

Do lado da SPM, o presidente Fernando Costa admitiu que esperava mais. “Prevíamos melhor. A única hipótese que podemos avançar é que a prova deste ano tinha muitas questões que envolviam matéria do 8º ano. Os alunos mal preparados podiam não ter essa matéria tão fresca na memória e isso explicar os baixos resultados. É apenas uma hipótese que apenas poderemos confirmar, quando forem conhecidos os resultados pergunta por pergunta”, disse.

Fernando Costa, que no dia da prova final de Matemática considerou que o teste não tinha questões desafiantes que permitissem distinguir os melhores alunos, disse hoje que estaria à espera que os resultados médios tivessem tido “uma oscilação de cinco pontos percentuais para cima, e não para baixo”, como aconteceu.

Os alunos do 9º ano registaram este ano uma média a Matemática de 48%, voltando a resultados negativos, depois de em 2014 terem conseguido uma positiva tangencial de 53%, segundo os resultados das provas finais hoje divulgados pela tutela.

Já a Português, a outra disciplina a que os alunos do 3º ciclo do ensino básico prestam provas finais, a média este ano foi de 58%, ligeiramente melhor do que os 56% registados em 2014.