A Rússia defendeu o levantamento “logo que possível” do embargo de armas ao Irão aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, quando prosseguem em Viena as negociações para um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Aquela medida foi imposta para forçar o Irão a negociar, um objetivo “atingido há muito tempo”, justificou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, ao declarar que a Rússia é “favorável a um levantamento do embargo logo que possível”.

“O Irão está envolvido na luta contra o (movimento radical) Estado Islâmico (…) e o levantamento do embargo às armas ajudá-lo-á a melhorar a sua capacidade de combater o terrorismo”, considerou Lavrov, durante uma conferência de imprensa à margem da cimeira dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Ufa, na Rússia.

Lavrov já tinha indicado esta semana que a questão do embargo à venda de armas ao Irão era um “problema significativo” nas discussões em Viena.

O Irão pediu na terça-feira em Viena o fim daquele embargo aprovado em 2010, apelando a uma “mudança de abordagem” por parte dos ocidentais para se chegar a um acordo sobre o nuclear.

Washington, no entanto, considerou que as restrições à venda de armas ao Irão poderão ser mantidas ainda que se consiga um acordo sobre o programa nuclear.

A resolução do Conselho de Segurança da ONU proíbe a venda ao Irão de tanques, sistemas de artilharia de grande calibre, aviões de combate, helicópteros de ataque, navios de guerra, mísseis e lançadores de mísseis.

Estipula igualmente que o Irão “não deve realizar qualquer atividade ligada aos mísseis balísticos que possam transportar armas nucleares” e proíbe a transferência de tecnologia ou o fornecimento de ajuda técnica ao Irão neste setor.

O acordo em negociação em Viena entre o Irão e as grandes potências prevê o levantamento das sanções contra Teerão se este cumprir os compromissos em matéria de energia nuclear.