O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes da Área Metropolitana do Porto (STTAMP) alertou que a STCP está perto da rutura e que tal acontecerá em setembro caso não haja admissão de novos motoristas.

“Se nada for feito até ao início do novo ano escolar a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) entrará em rutura”, admitiu o sindicato, em comunicado.

Em declarações à Lusa, o presidente daquela estrutura sindical, Zeferino Silva, afirmou que “há um défice de 140 motoristas na operação e, com o atual efetivo, apenas será possível cumprir cerca de 55% dos serviços a partir de setembro”.

O sindicato considerou que “as mazelas na imagem da empresa provocadas por esta situação [de falta de motoristas] causam danos irrecuperáveis”, como “a perda de clientes”, que “é abruta”.

Também a segurança dos motoristas é posta em causa devido ao incumprimento dos serviços, acrescentou Zeferino Silva, notando ainda que a manutenção e as condições das viaturas “deterioram-se de dia para dia”.

“Os profissionais responsáveis pelo controlo e gestão da rede encontram-se debaixo de enorme pressão, pois tentam fazer omeletes sem ovos”, sustentou o STTAMP.

Zeferino Silva criticou o “impasse” em que a empresa se encontra “há meses”, lamentando que a STCP aponte a “subconcessão como causa para não admitir trabalhadores”.

No comunicado, o sindicato adiantou que “a administração escuda-se no argumento de que não tem autorização da tutela para fazer mais e melhor”, mas “o problema é que [na atual situação] nem o pai morre, nem a gente almoça”.

“Ninguém sabe quando ou como o concessionário assume a empresa e os problemas multiplicam-se. O clima de indefinição é tal que a empresa se encontra paralisada, sem tomar decisões estratégicas e, pior do que isso, está a delapidar o seu principal património: os clientes”, sublinhou.

Para o STTAMP, com a entrada das escalas de setembro, época alta para a STCP, “o caos na operação é o cenário mais previsível e não será a entrada da nova gestão [do consórcio espanhol vencedor] que resolverá o problema de um dia para o outro”.

“O conselho de administração da STCP não deve nem pode refugiar-se, tem de tomar uma atitude de uma vez por todas, sob pena de, em vez de administradores, se conformarem em ser intervenientes ativos na ‘liquidação’ da empresa”, lê-se na nota divulgada hoje.

O concurso público internacional para a subconcessão da STCP foi lançado em agosto do ano passado, tendo sido ganho pelo consórcio espanhol TMB/Moventis. Até ao momento ainda não foi assinado o contrato de subconcessão.