O ministro da Economia Pires de Lima confirmou, esta sexta-feira, que o Governo está a estudar a possibilidade de criar um aeroporto complementar à Portela na base aérea do Montijo, na margem sul do Tejo. Estas declarações surgem depois de o presidente da Câmara do Montijo ter afirmado ao Diário Económico que a base aérea do Montijo está à frente nas preferências do Estado.

“A opção tendencial que estamos ainda a qualificar e a estudar é o desenvolvimento da Portela e o aproveitamento da base do Montijo. Estamos a fazê-lo em trabalho muito profundo, como o fizemos noutras estruturas”, avançou o ministro Pires de Lima, durante a apresentação do documento “Turismo 2020 – Cinco princípios para uma ambição”.

O governante acrescentou que o objetivo “é assegurar que o crescimento da Portela se faça com uma racionalização de recursos” e realçou que “não precisamos de um aeroporto faraónico que afaste a estrutura aeroportuária de Lisboa”.

Esta manhã, o Diário Económico já tinha avançado com declarações do presidente da Câmara Municipal do Montijo, Nuno Canta, que afirmou que a base aérea do Montijo é a primeira opção da Aeroportos de Portugal (ANA) para complementar o aeroporto da Portela, quando este esgotar a sua capacidade.

“Sabemos que estamos à frente na corrida em relação a este investimento, por comparação com as outras hipóteses em cima da mesa, que são Alverca e o Campo de Tiro de Alcochete, que em parte também está localizado neste concelho”, assegurou Nuno Canta ao diário.

O mesmo jornal acrescenta que fonte da ANA confirmou que Montijo seria a melhor alternativa para destino de companhias ‘lowcost’. “Estamos em negociações há vários meses com o Governo, mas principalmente com a ANA. Já estivemos reunidos com o seu CEO [administrador executivo], Jorge Ponce de Leão, que foi muito recetivo às nossas ideias”, explica o autarca, que prevê a criação de quatro mil postos de trabalho indiretos caso a proposta avance.

De acordo com o Diário Económico, a Câmara Municipal do Montijo entregou em maio um caderno de encargos à ANA. Entre as condições impostas para a realização do projeto estão a construção de uma rede de águas e esgotos, a conclusão da circular externa da cidade do Montijo, um novo acesso rodoviário à ponte Vasco da Gama e a transformação da estrada do Seixalinho (junto do cais fluvial), no Montijo, em avenida.

Aquele diário recorda que, a partir dos 22 milhões de passageiros anuais, a concessionária gerida pelo grupo francês Vinci deverá cobrir integralmente o investimento na construção de um aeroporto complementar ao de Lisboa.

Já em maio, o vereador da Câmara de Lisboa Manuel Salgado tinha avançado que estava a ser estudada a hipótese do Montijo para complementar o aeroporto da Portela.

“A aeroporto da Portela está perto do seu limite e está a ser estudada a hipótese de Portela+1, que no caso é o Montijo”, disse Manuel Salgado. O autarca de Lisboa acrescentou ainda que está a ser ponderada que a ligação entre o Montijo e Lisboa possa ser depois efetuada por barco.

[Texto atualizado, pela última vez, às 18h50, com declarações do ministro Pires de Lima]