As autoridades australianas estão preocupadas com a “potencial radicalização” de dois pilotos de aviação comercial de origem indonésia, de acordo com um relatório da polícia federal do país, divulgado pelo site The Intercept e citado pela estação de televisão CNN. O documento expressa a suspeita de ambos os pilotos são “influenciados” pelo Estado Islâmico, baseando-se nos respetivos perfis na rede social Facebook, e está a gerar preocupação devido à experiência na pilotagem de aviões e à possível radicalização, o que pode criar problemas de segurança.

Esta situação “devia levantar preocupações”, afirmou à CNN o analista de aviação Les Abend, “porque os pilotos comerciais têm um profundo conhecimentos das aeronaves, mas também dos procedimentos de segurança”. O relatório da política australiana revela que, a partir da informação disponível no Facebook, um dos pilotos em causa trabalhou a partir de 2009 na AirAsia, empresa da Malásia que atua no mercado de baixo custo, cumpridos rotas internacionais.

A partir de 2014, o piloto começou a publicar naquela rede social conteúdos de apoio ao Estado Islâmico, mudou de nome, e identificou o local em que vivia como Raqqa, na Síria. Entretanto, o seu mural no Facebook foi apagado. Contactada pela CNN, a AirAsia declarou que este piloto já não trabalha para a companhia de transportes aéreos.

O outro piloto, ainda de acordo com o relatório policial, começou a publicar material de propaganda ao Estados Islâmico em dezembro passado, além de artigos de carácter” extremista. Atualmente, publica conteúdos no Facebook sob um novo nome, e esteve empregado na Premiair, uma transportadora da Indonésia que se dedica aos voos charter, e a Garuda, uma empresa de bandeira deste país.

Na página do Facebook, este piloto publica propaganda do Estado Islâmico (EI) e notícias, assim como textos sobre aviação. A 19 de março, publicou uma fotografia de um militante do EI a segurar uma bandeira do movimento terrorista, acompanhada de um apelo à jihad. Em fevereiro divulgou um post sobre uma viagem a Saint Louis, nos Estados Unidos, onde terá recebido treino de voo adicional. O Estado Islâmico já apelou a que profissionais “qualificados” aderissem ao novo “califado”. Apesar de tudo, não há confirmação, por parte das autoridades, que os dois pilotos tenham sido, de facto, recrutados pelo Estado Islâmico.