Chapéus de palha, meias pelo joelho e saias quase até aos pés. Nas primeiras décadas do século passado, as colónias de férias eram muito diferentes das de hoje em dia. Criadas durante o Estado Novo, as colónias balneares infantis foram, durante várias décadas, a única alternativa para muitas famílias portuguesas. Para as mais carenciadas, eram a única maneira de garantir que os mais pequenos tinham umas férias perto do mar.

A primeira foi criada em 1927, por iniciativa de João Pereira da Rosa, então diretor do jornal lisboeta O Século. Localizada em São Pedro do Estoril, a colónia balnear começou por acolher crianças desfavorecidas de todo o país, por períodos de 15 dias. Até 1943, os custos eram suportados na íntegra pelo jornal, com a ajuda de donativos. Foi por volta da mesma altura que começaram a surgir as primeiras colónias financiadas pelo Estado. Estas destinavam-se principalmente aos filhos dos sócios efetivos das Casas do Povo, criadas em 1933.

A 3 de julho de 1940, foi inaugurada a Colónia Balnear Infantil Marechal Carmona, na Foz do Arelho, destinada a crianças que viviam na zona sul do país. A colónia, construída nos terrenos e no palacete que pertenciam a Francisco de Almeida Grandella, o dono dos famosos “Armazéns Grandella”, em Lisboa, foi mais tarde alargada, em 1958, e convertida num local de férias para adultos.

Ainda no mesmo ano, em setembro, foi aberta ao público a Colónia Balnear Infantil Doutor Oliveira Salazar, destinada à população a norte do rio Mondego. Esta era composta por um edifício principal e por um grande terreno. Deixou de funcionar sete anos depois, em 1947.

Com o passar dos anos, foram surgindo outras colónias balneares, mas a maioria acabou por desaparecer com o tempo. A grande exceção parece ser a de O Século. Passadas mais de oito décadas, a colónia balnear de O Século continua a acolher, todos os verões, crianças carenciadas “com o objetivo de lhes proporcionar umas férias junto do mar que, de outro modo, não teriam”, como é referido no site. Em 1998 foi criada a Fundação O Século, com o objetivo de prosseguir e desenvolver o trabalho iniciado por João Pereira da Rosa em 1927.