“No segundo trimestre de 2014, a economia portuguesa terá crescido 0,7% em cadeia e 1,7% em termos homólogos, em ligeira aceleração face ao trimestre anterior (0,4% e 1,5%, respetivamente)”, segundo as estimativas do núcleo de estudos de conjuntura da economia portuguesa (NECEP) da Universidade Católica. Apesar de os dados serem positivos, o organismo avisa que “estes resultados, a verificarem-se, podem estar influenciados por fenómenos estatísticos pontuais, pelo que devem ser lidos com prudência”.

O NECEP assinala que existe uma “trajetória de recuperação”, com sinais mais “consistentes” de retoma do investimento, e aponta que a “generalidade dos indicadores de atividade económica é
consistente com uma fase de recuperação cíclica, embora as restrições estruturais possam limitar a intensidade e a duração da recuperação”.  O gabinete de estudos da Católica estima, também, que no segundo trimestre do ano, a taxa de desemprego terá descido para 12,8%.

Quanto ao crescimento médio da economia nacional durante 2015, o NECEP decidiu fazer uma revisão em baixa das previsões, para 2,1%. “Esta nova previsão tem em conta o bom comportamento de todas a componentes da procura, com destaque para o investimento, o que permite manter a hipótese de ligeira aceleração do crescimento ao longo da segunda metade do ano”, diz o NECEP que alerta: “um bom desempenho a curto prazo poder resultar de alguma deterioração da situação orçamental que costuma ser observada em Portugal em anos eleitorais”.

Um aspeto que está a ajudar a economia portuguesa melhorar tem a ver com “riscos” que se têm revelado “menos onerosos em termos de crescimento do que inicialmente antecipado”. o NECEP identifica que “a crise do BES, ainda por resolver, continua a não se notar nas
estatísticas de atividade económica, o que permite antever que os seus efeitos ocorram apenas a nível de stocks e não de fluxos”.

Sobre a previsão de crescimento do PIB (produto interno bruto) em 2016 foi revista para 2.0%. “Os riscos de 2016 dependem, acima de tudo, das necessidades de ajustamento orçamental que possam surgir caso se venha a verificar um défice superior aos 2.7% inscritos no Orçamento do Estado para 2015”. Mas os “desenvolvimentos da zona euro pesarão também nesta previsão”, antecipando-se que “na ausência de surpresas adversas na frente orçamental, a economia portuguesa deverá crescer alinhada ou ligeiramente acima da zona euro no próximo ano”.

A crise na Grécia não deixa de ter lugar na análise efetuada pelos economistas da Universidade Católica, mas os respetivos impactos são relativizados. “A incerteza em torno da Grécia continua a pesar sobre os mercados financeiros. Mas a ausência de impactos significativos no mercado de capitais à realização do referendo e ao feriado bancário sugere que os restantes países da zona euro não serão afetados de forma significativa no curto prazo”.

A crise grega não é, no entanto, a única ameaça no horizonte. “As atenções estarão voltadas para a política monetária” da Reserva Federal, banco central dos Estados Unidos, com o início da subida das taxas de juro do dólar, e para a acumulação de riscos nos mercados financeiros da China”. Estes riscos poderão ter um “impacto relativamente pequeno e indireto na economia portuguesa”, pelo menos num horizonte de 18 meses. Estes resultados, a verificarem-se, “podem estar influenciados por fenómenos estatísticos pontuais, pelo que devem ser lidos com prudência”.