Pelo menos 74 advogados, que trabalham em casos de violações dos direitos humanos na China, foram detidos ou interrogados, numa campanha nacional lançada pela polícia na passada quinta-feira, denunciaram, este domingo, três organizações não-governamentais (ONG).

“A operação ainda está a decorrer e os números não são definitivos, mas até às 9h00 de hoje (2h00 em Lisboa) pelo menos 74 foram interrogados, detidos ou foi perdido o contacto com eles. Desses 74, nove foram levados”, disse à Efe a organização China Human Rights Lawyers Concern Group (CHRLCG).

A Amnistia Internacional e os Defensores Chineses dos Direitos Humanos (CHRD) confirmaram que as autoridades estão a realizar uma campanha contra advogados de direitos humanos que, apesar de centrada em Pequim, está também a acontecer noutras cidades do país.

“Dos nove detidos, já foi deduzida acusação contra um, um advogado de Cantão que está agora em prisão domiciliária”, acrescentou a CHRLCG, com sede em Hong Kong.

“Na China, a prisão domiciliária não tem de acontecer necessariamente em casa. Não sabemos onde este advogado está agora e receamos que possa ser sujeito a tortura”, denunciou a organização.

A Amnistia Internacional explicou, em comunicado, que esta campanha começou na passada quinta-feira, quando Wang Yu, uma conhecida advogada defensora dos direitos humanos, desapareceu, depois de ter enviado uma mensagem a um gripo de amigos dizendo que tinha ficado sem luz nem internet e que alguém estava a tentar entrar na sua casa.