Um novo modelo usado pela equipa de Valentina Zharkova, professora de Matemática na Universidade de Northumbria (em Inglaterra), permitiu prever que a atividade solar diminuirá em 60% durante os anos 2030, resultando em condições semelhantes à da mini-idade do gelo que teve início em 1645, referiu um comunicado de imprensa da Royal Astronomical Society. Os resultados foram apresentados durante a Reunião Anual de Astronomia que teve lugar em Llandudno, no País de Gales.

Há já 172 anos que os cientistas se aperceberam que o Sol tem uma atividade cíclica que dura 10 a 12 anos, mas esta atividade é muito variável de ciclo para ciclo e têm-se mostrado difícil de prever. Agora, a equipa de Valentina Zharkova estudou três ciclos solares (de 1976 a 2008), analisou as variações dos campos magnéticos do Sol, comparou o hemisfério norte com o hemisfério sul e criou um novo modelo que consegue fazer predições muito apuradas dessas irregularidades do ciclo solar.

A variação da atividade solar desde uma situação próxima do mínimo, até uma atividade máxima - SOHO/ESA/NASA

A variação da atividade solar desde uma situação próxima do mínimo, até uma atividade máxima – SOHO/ESA/NASA

Ao usarem o modelo para prever o que acontecerá no futuro, os cientistas verificaram que no ciclo que inclui a década de 2030 os dois campos magnéticos ficariam completamente dessincronizados o que provocaria uma redução da atividade solar.

Falta explicar de que forma esta redução da atividade solar pode realmente afetar a Terra. Um estudo publicado em junho na Nature também revela que a atividade do Sol está a diminuir e que isso pode ter alguma influência nas correntes atmosféricas, mas os investigadores descartam que isso pudesse alterar o curso previsto para as alterações climáticas.