Foi considerado o “mais impostor notório da história” dos Estados Unidos. Farid Fata, um médico oncologista do estado de Detroit, prescreveu tratamentos de quimioterapia a cerca de 553 pacientes que não precisavam de o receber. Em muitos casos, os doentes nem sequer tinham cancro. Foi considerado culpado em setembro pelos crimes de fraude, lavagem de dinheiro, e subornos. Na sexta-feira passada, foi condenado a 45 anos de prisão, avança a CNN.

Para convencer os seus doentes a submeterem-se à quimioterapia, Farid Fata dizia-lhes que se encontravam numa fase terminal de cancro no sangue. Depois, apresentava as faturas dos tratamentos à Medicare, o sistema de seguros de saúde estatal dos Estados Unidos, e a companhias de seguros privadas. Estima-se que entre 2007 e 2013 tenha apresentado faturas no valor de 203 milhões de euros à Medicare, revela a BBC. Através deste esquema fraudulento, Farid conseguiu arrecadar cerca de 15,9 milhões de euros. Para ele os “pacientes não eram pessoas. Eram centros de lucro”, afirmam as autoridades.

No tribunal, o médico fez um pedido de desculpas emocionado, alegando que se sentia “envergonhado” pelas suas ações. “Violei o juramento de Hipócrates e quebrei a confiança dos meus pacientes”, afirmou de acordo com a CNN. “Não sei como posso curar esta ferida. Não sei como expressar o sofrimento e a vergonha”.

Para as dezenas vítimas de Farid, o pedido de desculpas foi irrelevante, afirmaram esta semana no tribunal de Michigan, nos Estados Unidos, onde foi lida a condenação a 45 anos de prisão. Geraldina Parkin, a mulher de um dos pacientes afirmou em tribunal que muitos dos doentes “foram torturados até ao seu último sopro”.