Depois da entrevista do primeiro-ministro, transmitida ontem pela SIC, foi a vez de o líder socialista ripostar. António Costa diz que Pedro Passos Coelho está “enredado a tentar explicar as mentiras que fez no passado” e que “não aprendeu nada com os erros”. Tudo críticas que também Passos tinha feito a Costa. Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita a Baião, onde iniciou uma visita a vários concelhos do Tâmega e Sousa, o secretário-geral socialista voltou a defender um cenário de maioria absoluta para o PS e rejeitou categoricamente qualquer aliança governativa com a direita: “Os portugueses têm pesadelos só de pensar nisso”. “Se há ideia com que os portugueses ficam arrepiados” é essa, diz.

Criticando o facto de, na entrevista com a jornalista Clara de Sousa, o primeiro-ministro não ter dito “nada sobre o futuro”, nomeadamente sobre o futuro de setores como a “saúde, a educação e o emprego”, Costa disse mesmo que, “para o primeiro-ministro, o engano é uma espécie de vício”. “Há quatro anos, quis enganar a todos, prometendo que não cortava o que cortou, nem aumentava o que aumentou, e agora quer o engano do emprego”, disse.

A esse propósito pegou numa frase dita por Passos para mostrar o que disse ser “a distância a que o Governo está da realidade dos portugueses”. “O primeiro-ministro disse ontem que ouve muitas vezes as pessoas dizerem que não têm emprego porque houve um problema lá no trabalho”. “Nunca se ouve dizer isto, já encontrou alguém que diga isto?”, atirou Costa, acusando o Governo de ter “destruído 320.000 postos de trabalho”.

“Vir pretender, como um sucesso da sua política, o aumento do emprego, é não ter noção da realidade do país em que estamos”, declarou, apontando o dedo ao “enorme aumento do desemprego e da emigração ao longo destes anos”.

Sobre futuros cenários pós-eleitorais, Costa e Passos estão alinhados – mas em sentido contrário: “Não tenho dúvidas de que a boa solução para o governo do país é uma maioria absoluta do PS”, disse.

Os restantes cenários não são equacionados para já, mesmo depois de Passos ter acusado o PS de não conseguir garantir estabilidade por não ser capaz de fazer alianças. Sobre isso, de resto, Costa rejeitou categoricamente pelo menos uma dessas alianças: com o PSD ou o CDS. “Os portugueses têm pesadelos só de pensar que nós iríamos ajudar Passos Coelho ou Paulo Portas a prosseguirem esta política”, disse esta manhã na vila de Baião, onde estava para falar de saúde. “As pessoas vivem no terror de manter este primeiro-ministro e a política deste Governo”. Uma política de “vira o disco e toca o mesmo, como diria a minha avó”, acrescentou.

Sobre presidenciais, o mesmo de sempre: “Não está na ordem do dia”. Numa altura em que se equacionam hipóteses para lá de Sampaio da Nóvoa, como Maria de Belém, que, de resto, preferiu ficar num lugar não elegível nas listas à Assembleia da República, Costa não quer pôr mais achas na fogueira. “Quando decidirmos pronunciar-nos sobre essa matéria avisamos-vos [aos jornalistas]”. Até lá, “não se angustiem”, disse, respondendo às perguntas dos jornalistas sobre a promessa feita por Carlos César a Nóvoa de que o apoio do PS viria este mês – ontem noticiada pelo Observador.