Esta quarta-feira reuniram-se 28 jogadores de golfe que venceram o Open Britânico entre 1954 e 2014. Em 52 desses 60 anos, apenas faltaram 8 jogadores/8 anos, 4 por terem falecido e outros 4 por impedimentos de ordem vária. E tudo decorreu conforme o programado, sem imprevistos, numa tarde de beleza irreplicável, brisa suave, sol radioso, temperatura amena, jogadores de golfe brilhantes.

A casa-mãe do golfe, St. Andrews, na Escócia, é “mercurial”, anglicismo derivado de mercúrio. Ou, traduzindo, é temperamental em matéria metereológica, com temperaturas oscilando dez ou mais graus em poucas horas, e variações dramáticas de sol e chuva, tempestade e bonança. Às dez da manhã deste dia de verão em que se celebraram 60 anos de história do Open Britânico de golfe, estavam dez graus e chovia. Mas a partir das 16h10 operou-se a magia do céu azul, agora com 22 graus de temperatura, e um sol dourado e transparente a alongar as sombras num fim de tarde em que nesta época do ano só fica lusco-fusco lá para as 10 da noite. E o Champions Golfers’ Challenge foi contemplado com uma tarde gloriosa.

E a celebração arrancou com uma equipa de quatro jogadores, em que figuravam Tiger Woods, Nick Price, Mark O’Meara e Tom Weiskopf. A eles, e de 11 em 11 minutos, iriam seguir-se mais seis equipas de quatro jogadores cada, juntando 24 nomes míticos, todos vencedores do Open Britânico entre 1954 e 2013.

E ontem prefaziam-se exatamente 60 anos que em 1954 o Australiano Peter Thompson ganhara o seu primeiro de cinco Opens. No final, exausto, e desgastado pela força dos achaques próprios da idade, concluiu a sua volta sob os aplausos de cerca de 30.000 espectadores.

No temido e famigerado buraco 17 do Old Course, enquanto Tiger Woods fazia um birdie brilhante, com três pancadas, uma menos das quatro previstas, Thompson iria eventualmente fazer seis, sofridas e custosas. A crueldade da idade: Tiger 40 anos, Thompson 85 anos. Por seu lado, Arnold Palmer, também com 85 anos, recolhia aplausos sem fim do público que esgotou os lugares das bancadas em torno do campo, e era um mancha sem fim, em pé, ao longo do percurso. Via-se o contraste com os campeões mais novos, que exibiam a superlativa qualidade do seu jogo perante aqueles veneráveis matusaléns. Os jovens, o público julgou com condescendência, ao assistir ao invulgar exemplo dos mais velhos. Era a glorificação da determinação, do desportivismo, e da consistência de 60 anos de golfe em busca da perfeição. E John Daly, Sir Nick Faldo, Tom Lehman, Gary Player e Tom Watson, na sua mescla de gerações, tinham, entre todos, bem consciência disso.

E neste torneio irrepetível, a equipa vencedora foi a de Arnold Palmer que contava com Darren Clarke, Paul Lawrie e Bill Rogers. Empatada com outras três equipas, todas com três pancadas abaixo do par no final dos buracos 1, 2, 17, e 18, a de Palmer acabou por ganhar, pois as regras determinavam que nesse caso de empate, a equipa com mais elevada idade média entre os seus jogadores, venceria. Palmer e os seus preenchiam o requisito, e ganharam cerca de €120.00 que entregarão a uma obra de solidariedade social.

O ambiente entre as estrelas do golfe era descontraído, apesar da ansiedade da colossal assistência. Mas hoje, quinta-feira, já não se joga a feijões. E em St. Andrews esperam-se cerca de 250/300.000 espectadores entre amanhã e domingo. Um terramoto para esta pequena cidade medieval, uma terra normalmente tranquila que conta com apenas 13.000 habitantes, mas que de cinco em cinco anos recebe com gala estas multidões que aqui acorrem para no Open absorver todo o ambiente do local onde o desporto do golfe nasceu há cerca de 500 anos…