A organização não-governamental Transparência Internacional defendeu, esta quarta-feira, ser necessária uma “comissão independente” para pôr termo à “cultura de corrupção” no seio da FIFA, atingida por um vasto escândalo.

“A FIFA viu ser-lhe mostrado um cartão vermelho diversas vezes, mas ainda não foi capaz de implementar reformas”, afirmou Cobus de Swardt, diretor da Transparência Internacional, organização especializada na luta contra a corrupção, com sede em Berlim, em comunicado.

“Tem de haver uma comissão de reforma independente e a FIFA tem de mudar. Não a mais falsas partidas, não a mais escândalos, não a mais operações policiais ao amanhecer. A FIFA tem uma dívida para com os adeptos e jogadores para mudar agora”.

O apelo por uma “reforma independente” foi lançado em conjunto com a organização não-governamental Avaaz, a Confederação Internacional de Sindicatos e o grupo “New FIFA now” (“Nova FIFA Agora”) num relatório intitulado “Give Back the Game – How to Fix FIFA” (“Devolvam-nos o Jogo — Como reparar a FIFA”).

O papel da comissão seria “rever, desenvolver e aplicar a constituição da FIFA, os seus estatutos e as suas regras, e novos acordos de governança e adesão (…) e realizar novas eleições”, assinala a nota da Transparência Internacional, citada pela agência AFP.

No manifesto, de sete páginas, a organização não-governamental avança com pistas para “acabar” com a corrupção no órgão máximo do futebol.

Além da comissão independente, reclama, por exemplo, uma limitação de mandatos para presidente e membros do comité executivo, bem como a publicação dos rendimentos dos altos quadros. Propõe ainda que a eleição do presidente deixe de ser por voto secreto, sublinha a necessidade de se romper com a “opacidade financeira” da FIFA por via da divulgação das informações numa “plataforma aberta”.