O acordo nuclear alcançado com as potências mundiais não vai mudar a postura do Irão relativamente aos “arrogantes” Estados Unidos nem a política de apoio aos seus “amigos” na região, declarou hoje o guia supremo iraniano.

As declarações do ayatollah Ali Khamenei foram recebidas com gritos “Morte à América” durante uma cerimónia em Teerão que assinalou o fim do mês de jejum e abstinência do Ramadão, ao serem transmitidas em direto pela televisão estatal.

“A República do Irão não vai renunciar ao apoio aos seus amigos na região, aos povos oprimidos da Palestina, do Iémen, aos povos e governos sírio e iraquiano, ao povo oprimido do Bahrein e aos combatentes sinceros da resistência no Líbano e na Palestina”, sublinhou o líder iraniano.

Ali Khamenei reiterou que o acordo alcançado na terça-feira com o Grupo 5+1 (Estados Unidos, França, China, Reino Unido, Rússia, mais Alemanha) ainda não é lei e tem que ser cuidadosamente analisado. Na quinta-feira, o guia supremo iraniano já tinha pedido um “cuidadoso escrutínio” ao acordo durante o processo ao qual deverá ser submetido no parlamento.

O líder religioso e político, que detém a última palavra em todos assuntos públicos do Irão, afirmou que o fim das negociações foi uma “conquista”, mas advertia para eventuais violações dos compromissos pela outra parte signatária (Grupo 5+1), considerando que “alguns dos seis países “não são fiáveis”.

O Irão e o chamado Grupo 5+1 (Estados Unidos, França, China, Reino Unido, Rússia e Alemanha) anunciaram, esta terça-feira, ter fechado um acordo histórico, em Viena, que coloca termo a um impasse de 13 anos, interpretado por Teerão como “um novo começo” das suas relações com o mundo.