Aquele momento estranho, quando se conhece uma pessoa, o que dizer? Como dizê-lo? Gesticular ou não com as mãos, sorrir ou cerrar os dentes? A primeira ideia que fazemos de alguém nem sempre corresponde à verdade absoluta, mas isso não quer dizer que não queiramos causar uma boa impressão. Foi a pensar nisso que a revista Time consultou Robin Dreeke, em tempos diretor do Programa de Análise Comportamental do FBI, e pediu-lhe para enumerar alguns tópicos para que seja mais fácil fazer com que as pessoas gostem de si. Interessado/a?

1. Oiça as opiniões e os pensamentos da outra pessoa sem qualquer tipo de julgamento.

Colocar questões, ouvir e evitar o julgamento são apenas o começo: “As pessoas não querem ser julgadas em qualquer pensamento ou opinião que tenham ou em qualquer ação que tomem”, diz Dreeke. No entanto, isso não significa que tenha de concordar com tudo o que os outros dizem.

O especialista refere ainda que falar de nós próprios, seja numa conversa pessoal ou via redes sociais, desencadeia a mesma sensação de prazer no cérebro que a comida e o dinheiro.

2. Dê folga ao ego e evite corrigir os outros.

A suspensão do ego serve para colocar de lado as nossas próprias necessidades, vontades e opiniões, isto é, ignorar de forma consciente o nosso desejo de estar correto e de corrigir outra pessoa. É que quando as pessoas ouvem coisas que contrariam as suas crenças, a parte lógica das suas mentes é automaticamente desligada e o “cérebro prepara-se para ir à luta”, escreve o autor do artigo.

3. Seja um bom ouvinte. Mas como?

Pare de pensar no que vai comentar a seguir e foque-se no que a outra pessoa está a dizer — não parece muito difícil, pois não? Mostre-se ainda curioso e peça para ouvir mais sobre temas que lhe dizem respeito.

“Ouvir não é calar-se. Ouvir é não ter nada para dizer. Há uma diferença aqui. Se apenas ficar calado, isso quer dizer que ainda está a pensar no que queria dizer. Está apenas a não dizê-lo. No segundo em que penso na minha resposta, estou [só] a ouvir metade do que estão a dizer porque estou à espera da oportunidade para contar a minha história.”

E os passos para ouvir ativamente são:

  • Ouvir o que os outros sem interromper, discordar ou “avaliar”;
  • Acenar a cabeça e fazer comentários breves de reconhecimento, como “sim, sim”;
  • Sem correr o risco de parecer uma pessoa estranha, repetir o essencial do que a outra pessoa disse;
  • Colocar questões para mostrar que estava a prestar atenção e para que a discussão possa progredir.

4. Pergunte pelos desafios dos outros.

O especialista do FBI afirma que é uma das questões que mais gosta de colocar e que facilmente consegue adaptá-la a diferentes realidades da vida de alguém. São exemplo as seguintes perguntas: “Quais foram os principais desafios da sua carreira?” ou “Qual o maior desafio quando mudou de cidade?”.

“Toda a gente passou por desafios. Isso faz com que as pessoas partilhem quais são as suas prioridades naquele momento das suas vidas”.

5. Diga à pessoa que tem pouco tempo para conversar.

Só assim as pessoas relaxam: “Quando as pessoas pensam que se vai embora cedo, elas relaxam. Se se sentar ao lado de alguém num bar e disser ‘Posso pagar-lhe uma bebida?’, as suas defesas vêm ao de cima”, explica o especialista. Nessas situações, o melhor é explicar o quanto antes quando é que se vai embora.

6. O segredo também está na linguagem corporal

Uma das regras de ouro é sorrir, sorrir sempre, de maneira a gerar confiança. Dito isto, lembre-se de baixar o queixo durante uma conversa — para não dar a entender que está a fazer um ar de superioridade — e não fale com o corpo todo virado para a frente (dê-lhe um ângulo, para não correr o risco de ofender alguém). Já as palmas das mãos têm de ficar para cima quando estiver a falar, o que basicamente significa que está a ouvir e a aceitar as ideias do outro.