O primeiro-ministro português considerou que a proposta do presidente francês de uma “vanguarda” na zona euro provoca desconfiança e reservas aos países em processo de convergência, porque equivale a “construir diversos clubes dentro do clube”.

Contudo, Pedro Passos Coelho saudou a intenção de “levar mais longe as transformações institucionais” da zona euro e acabou por qualificar a proposta de François Hollande “como mais uma proposta interessante” nesse sentido.

Numa conferência promovida pelo Fórum de Administradores de Empresas, num hotel de Lisboa, Passos Coelho começou por dizer que o presidente francês “não foi muito explícito”, mas parece ter proposto “uma ideia de diretório europeu mais fechado, mais centrado sobre os países fundadores da Comunidade Económica Europeia, que teria, portanto, uma espécie de Governo europeu, com um orçamento europeu e um parlamento europeu adequado a esses países”.

“Evidentemente que os países que estão em processo de convergência tendem a olhar de uma forma mais desconfiada dessas ideias, porque isso significa, no fundo, construir diversos clubes dentro do clube, aos quais só se pode ascender de acordo com regras ou parâmetros que não ficaram definidos quando se entrou para o clube. São regras novas. E, portanto, os países, de um modo geral, reagem com uma certa reserva a esse tipo de ideias”, considerou.

Lusa/Fim