A poucas horas da reunião da Comissão Política do PS, que aprovará as listas de candidatos a deputados que vão concorrer nas próximas eleições legislativas, António Costa e as várias federações entram no sprint final. A dúvida e as maiores divergências estão do lado dos seguristas, que se queixam de estarem a ser excluídos dos lugares elegíveis. Perante as críticas, a direção do PS já veio rejeitar, no entanto, que haja um afastamento dos nomes próximos do anterior secretário-geral das listas, com fonte da direção a dizer à Lusa que só na lista de Lisboa há cinco nomes entre os lugares elegíveis e os lugares da zona cinzenta.

“Pelo círculo eleitoral de Lisboa, há três dirigentes que foram apoiantes do anterior líder, António José Seguro, em zona de eleição direta e mais dois em posição de eleição quase garantida se o PS vencer as eleições legislativas”, disse à agência Lusa fonte oficial dos socialistas.

A Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) aprovou ontem à noite a sua lista de candidatos, com uma novidade: Helena Roseta volta à linha da frente, aparecendo logo em terceiro lugar. A lista foi aprovada pela federação com 43 votos a favor e 22 contra. Falta ainda acrescentar a quota de 30% do secretário-geral, que esta noite pode fazer saltar alguns lugares de última hora, mas até lá a lista de Lisboa de candidatos a deputados pelo PS está ordenada assim:

1º António Costa

2º Ferro Rodrigues

3º Helena Roseta

4º Marcos Perestrello

5º Miranda Calha

6º Maria da Luz Rosinha

7º Sérgio Sousa Pinto

8º Mário Centeno

9º Susana Amador

10º Vitalino Canas

11º Álvaro Beleza (ex-secretário nacional de Seguro)

12º Edite Estrela

13º Joaquim Raposo (ex-secretário nacional de Seguro)

14º Pedro Delgado Alves

15º Graça Fonseca

16º Miguel Coelho

17º Ana Sofia Antunes

18º Rui Riso (UGT, ligado a Seguro)

19º Diogo Leão

20º Isabel Moreira

21º Ricardo Leão

22º Paulo Marques (ex-apoiante de Seguro)

23º Cláudia Ferreira

24º Luís Reis

25º Rui Paulo Figueiredo (ex-apoiante de Seguro)

A expectativa é eleger, seguramente, entre 20 a 22 deputados, pelo que os nomes aparecem nos lugares seguintes já não têm 100% de garantias de que serão eleitos. A posição do atual deputado Rui Paulo Figueiredo, por exemplo, na zona cinzenta (em 25º lugar), motivou mesmo alguns protestos entre as bases e já teve consequências práticas: apresentou esta terça-feira a sua demissão das funções de líder parlamentar do PS na Assembleia Municipal de Lisboa, mandato que exercia desde 2013.

De fora desta lista ficam portanto nomes como de António Galamba, ex-secretário nacional de António José Seguro, ou João Soares, ou ainda nomes fortes da ala costista como os ex-ministros Jorge Lacão, Alberto Costa e Gabriela Canavilhas, ou ainda Inês de Medeiros. Tudo nomes que, ainda assim, António Costa pode recuperar e colocá-los noutros círculos. De acordo com o jornal Público, o nome do antigo presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, deverá mesmo vir a entrar na lista do PS no círculo eleitoral de Lisboa durante os arranjos finais. De todo o modo, a dança final das cadeiras joga-se esta noite, na reunião da Comissão Política do PS.

Seguristas por um fio

Além de António Galamba, que não consta da lista de Lisboa, há outros nomes ligados a António José Seguro que deverão mesmo ficar de fora. É o caso de Miguel Laranjeiro, ex-secretário nacional para a Organização, de Isabel Coutinho, líder das Mulheres Socialistas, mas também do ex-líder da UGT João Proença, ou dos deputados Mota Andrade, António Braga e José Junqueiro.

Fontes da corrente segurista e da direção do PS, que têm estado envolvidas nas conversações para a elaboração das listas, admitiram segunda-feira à noite à agência Lusa que, ainda assim, o número de elementos que apoiaram o anterior líder, António José Seguro, poderá mesmo crescer face ao número atual.

De acordo com as expectativas dos seguristas envolvidos nas conversações com a direção de António Costa, além dos nomes de Lisboa, o cenário mais provável aponta para a manutenção de mais cinco deputados (Alberto Martins, Nuno Sá, Fernando Jesus, António Gameiro, António Cardoso e Rosa Albernaz) e para a saída de oito (Miguel Laranjeiro, António Braga, Mota Andrade, José Junqueiro, Miguel Freitas, Luís Pita Ameixa, Jorge Fão e Maria de Belém – esta última por vontade própria).

Depois, ainda de acordo com as mesmas expectativas dos seguristas, poderão entrar para o Parlamento 15 novos nomes desta linha, sobretudo provenientes dos círculos eleitorais do Porto, Santarém e Coimbra.

No processo de elaboração das listas de candidatos a deputados no PS, cabe às federações socialistas indicarem cerca de dois terços dos candidatos e ao secretário-geral o restante terço, mas, em última instância, compete sempre à Comissão Política proceder à aprovação final das listas.

Certo é que Costa está a recusar algumas das listas. Tudo em nome da “renovação” e da “credibilidade”, como chegou a explicar fonte da direção de Costa à Lusa, que dizia que o secretário-geral socialista “não aceita que alguma federação lhe estrague o esforço bem-sucedido de renovação e de credibilidade inerente à escolha dos cabeças de lista para as próximas eleições legislativas”.

O caso de Coimbra é emblemático, por Costa ter recusado a lista de candidatos apresentada pela distrital onde consta, em terceiro lugar, o nome do atual deputado Rui Pedro Duarte, que está a ser investigado judicialmente num processo de alegada falsificação de inscrições de militantes na distrital. Os casos de Santarém e Viana não estão também fechados.