Ter a variante de um gene que afeta a libertação de uma proteína no cérebro pode levar ao consumo excessivo de álcool. Este é o resultado de um novo estudo publicado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). A experiência foi feita com ratos e, na prática, concluiu-se que basta uma alteração na proteína para se verificar a falta de moderação no consumo de bebidas alcoólicas.

Vamos por partes. Os genes têm o código para as proteínas e estas são compostas por aminoácidos. A troca de um desses aminoácidos por outro (porque a variante do gene assim o determinava) foi o suficiente para fazer com que os ratos bebessem mais álcool, levando à conclusão de que esta variação pode levar ao consumo compulsivo de álcool.

A proteína normal, BDNF (brain-derived neurotrophic factor), ajuda à sobrevivência, crescimento e diferenciação dos neurónios e desempenha um papel importante no desenvolvimento de novos neurónios e sinapses (as ligações entre neurónios). Mas os ratos da experiência que consumiram quantidades excessivas de álcool tinham uma variante do gene, o Met68BDNF, que reduzia a libertação da proteína BDNF, concluíram os investigadores.

O equivalente nos humanos dessa variante do gene, o Met66BDNF, também provoca uma diminuição do funcionamento normal da BDNF no cérebro. Várias desordens psiquiátricas, como a esquizofrenia e a depressão, estão associadas a problemas com a normal expressão desta proteína, aponta o National Institutes of Health (NIH).

A análise foi encabeçada por Dorit Ron, professor no departamento de Neurologia na Universidade da Califórnia (São Francisco, EUA). “Os fatores genéticos têm importância em quem desenvolve problemas de alcoolismo”, disse George Koob, diretor do Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA, nos EUA). “Se percebermos as bases genéticas da perturbação do alcoolismo, vamos estar mais aptos a desenvolver estratégias de tratamento e prevenção”, revelou o mesmo médico.

A solução para voltar a consumir níveis moderados de álcool pode estar na estimulação da “proteína certa” ou na administração de um fármaco que mimetize a função da proteína normal. Segundo o mesmo documento, os investigadores conseguiram reverter o consumo compulsivo nos ratos usando terapia genética e alguns medicamentos.