O primeiro-ministro e presidente do PSD recordou esta terça-feira a sua frase “que se lixem as eleições” e afirmou que não troca a estratégia de “prudência” dos últimos anos, por mais alguns deputados nas legislativas.

No início de um jantar com o grupo parlamentar do PSD, na Assembleia da República, Pedro Passos Coelho defendeu “a importância de se ser prudente, de não se andar aos ziguezagues na estratégia”, acrescentando: “Nunca por nunca trocaremos esta confiança, de alguma forma, esta prudência por resultados eleitorais”.

Segundo o presidente do PSD, as políticas dos últimos anos abriram caminho à atração de investimento, crescimento económico e emprego. “Agora que esse prémio está ao nosso alcance, não o vamos desbaratar apenas para poder ter a mira de eleger mais uns quantos deputados, que nunca deixariam de fazer muita falta num parlamento que apoia um Governo que sabe o que quer e aonde quer chegar”, afirmou.

Ainda assim, o presidente do PSD reconheceu que os quatro anos em que foi obrigado a aplicar medidas de austeridades vão custar assentos parlamentares ao partido. Dirigindo-se àqueles que vão sair do Parlamento, Passos garantiu que conta, no futuro, com a sua intervenção cívica.

“Nem todos os que aqui estão bisarão o seu mandato nos próximos quatro anos, porque só por milagre é que tal sucederia”, declarou o presidente do PSD, na Assembleia da República, durante um jantar com o grupo parlamentar social-democrata, atualmente composto por 108 deputados.

“Fiquem bem cientes os que vão bisar e os que porventura o não poderão fazer de que todos, mas todos mesmo, tiveram uma intervenção decisiva naquilo que fizemos até hoje, mas continuarão a ter uma palavra decisiva no futuro que temos à nossa frente”, acrescentou.

Rodeado pelos deputados do PSD, que o escutavam de pé, Passos Coelho procurou relativizar a importância do exercício de funções públicas, dizendo que, para além das “instituições, com todo o peso que têm bem”, é também necessário que “cada um” dos cidadãos intervenha civicamente e dê “o melhor” de si ao país.

A expectativa de Passos é que os portugueses reconheçam o esforço de superação protagonizado pelo Governo e que voltem a confiar a PSD e CDS a missão de conduzir os destinos do país. “Estes quatro anos [ficarão] na história do país pelas melhores razões” porque vão permitir que os próximos quatro anos sejam de “crescimento” e “de correção nas assimetrias que ainda hoje estão bem patentes na distribuição dos rendimentos”.

“E eu espero que, se tivermos a confiança dos portugueses, possamos acrescentar esses quatro anos de desenvolvimento e de crescimento a estes quatro que resolveram problemas dos mais complicados que a sociedade democrática herdou, por não ter sido previdente, por não ter sido madura, não ter tido a responsabilidade de pensar no futuro”, acrescentou.

Nesta intervenção, Passos Coelho destacou o facto de o Governo PSD/CDS-PP ter concluído o programa de resgate assinado em 2011 e reafirmou que esse trabalho “parecia quase impossível de cumprir”, devido aos “termos que tinham ficado acordados entre o anterior Governo e as instituições da ‘troika'”.

A este propósito, o primeiro-ministro voltou a alegar que, no início desta legislatura, foi detetado um “desvio orçamental” que obrigou “a um esforço colossal” para cumprir as metas traçadas para a consolidação das contas públicas.

Citando “o primeiro relatório que a ‘troika’ fez em Portugal, quando concluiu a primeira avaliação, em agosto de 2011”, Passos Coelho referiu que foi verificado “um desvio face ao que estava estimado para aquele ano de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB)”, correspondente a “qualquer coisa como dois mil milhões de euros”.

“E nós cumprimos. Exigiu, realmente, um esforço grande. Tivemos de ganhar credibilidade, nomeadamente credibilidade negocial. Conseguimos fazer a revisão destas metas, felizmente, um ano depois. Conseguimos suavizar as condições de financiamento à economia. Conseguimos fazer uma reforma estrutural extremamente ambiciosa”, reivindicou.

Segundo Passos Coelho, isso “permitiu que, a partir de 2013, a economia começasse a recuperar”, mas o trabalho do executivo PSD/CDS-PP não é reconhecido pelos partidos da oposição.

“Chegamos ao fim da legislatura e não há oposição ou oposições que estejam satisfeitas pelo facto de a nossa economia a estar crescer, de o emprego estar a crescer, de o desemprego estar a descer e de, portanto, podermos todos projetar para futuro outra confiança, outra esperança”, lamentou.

Neste ponto, o primeiro-ministro fez alusão à situação da Grécia, declarando: “Infelizmente, [houve] outros que, sem terem ouvido as recomendações da nossa oposição, as executaram no seu próprio país para infelicidade dos seus próprios cidadãos”.

“Estes quatro anos podem ficar na história, não por terem sido um acidente, mas por terem permitido a Portugal escolher um caminho sério, um caminho convicto de uma nação que quer mesmo ser uma nação desenvolvida, lutar mesmo contra as desigualdades, criar mesmo mais justiça”, considerou.