Dez mil milhões de dólares. Terá sido este o valor pedido por Alexis Tsipras ao Presidente russo Vladimir Putin para voltar a produzir dracmas e, assim, bater com a porta da Zona Euro. A notícia começou a ganhar força quando o primeiro-ministro grego admitiu, em entrevista à estação pública da ERT, que a Grécia, ou qualquer outro país, só poderia imprimir a própria moeda com “reservas” monetárias “fortes”. E terá sido precisamente essa almofada de apoio que Tsipras pediu a Putin como moeda de troca para deixar o Euro.

No entanto, e de acordo com o jornal Greek Reporter, que cita a publicação grega To Vima, a resposta de Moscovo terá sido a possibilidade de adiantar 5 mil milhões de dólares sobre a construção de um gasoduto que atravessaria a Grécia. Ainda segundo este órgão de comunicação social, Tsipras terá de seguida estendido o pedido de empréstimo a Pequim e a Teerão. Sem sucesso.

As alegadas movimentações do primeiro-ministro grego já terão provocado o descontentamento de 17 deputados da Nova Democracia, que enviaram uma carta a Tsipras, exigindo explicações.

O eixo Atenas – Moscovo começou a ganhar força depois de o Syriza ter vencido as eleições gregas em janeiro. Nos bastidores das negociações entre gregos e credores, uma das primeiras jogadas de Tsipras foi encontrar-se com Putin e, já em solo russo, criticar a posição assumida pela União Europeia no conflito da Crimeia. O grego jogava assim o primeiro trunfo: ou a Europa aceitava as pretensões gregas ou a Grécia ameaçava virar o tabuleiro geoestratégico em função de Moscovo.

O aviso estava dado mas acabou por não ter os resultados que Tsipras esperava, pelo menos a longo prazo. Ao mesmo tempo que jogava com o medo da Europa – e do Ocidente – de perder terreno para a Rússia, o primeiro-ministro grego terá colocado os seus homens de confiança – Varoufakis, Panos Kammenos (líder do partido da coligação), Yiannis Dragasakis (vice-primeiro-ministro), Nikos Pappas (ministro do Estado do Governo grego), Panagiotis Lafazanis (ministro da Energia) e vários técnicos do Ministério das Finanças – a estudar a possibilidade de voltar ao dracma.

Mas Tsipras não estaria à espera da recusa de Putin. Na noite do referendo, escreve o Greek Reporter, Moscovo terá dado a entender ao Governo grego que não apoiaria o regresso da Grécia ao dracma – uma notícia confirmada nos dias seguintes ao referendo. Assim, e confrontado com aquilo que pode ser visto como um beco sem saída, Tsipras foi “obrigado” a fechar o acordo de resgate com os credores.