João Carlos Brito voltou a fazê-lo. Depois de ter publicado em 2014 o livro Lugares e Palavras do Porto, onde explica o que é uma sertã, um carapim, ou o sentido da expressão “estar com o toco”, desta vez quer ensinar aos turistas as expressões que se usam na Invicta. Dicionário PORTOguês-Inglês vai ser apresentado esta sexta-feira, às 21h30, no Café Progresso. No Porto, como não poderia deixar de ser.

Quando, em maio, José Mourinho pôs metade do Reino Unido a pensar o que é que o treinador português queria dizer com a expressão “the dogs bark and the caravan goes by” (os cães ladram e a caravana passa), este dicionário poderia ter sido uma ajuda preciosa.

De acordo com o professor bibliotecário da Escola Secundária de Gondomar, o livro reúne “cerca de mil entradas, com a respetiva tradução literal (um inglês macarrónico e hilariante), seguida do seu significado verdadeiro”. Mas constitui também “uma recolha única das palavras ou expressões correspondentes na linguagem informal, idiomática ou do calão inglês”. João Carlos Brito contou com a ajuda de Ana Cruz e Cristina Vieira Caldas.

Estão lá expressões populares como “Laurear a pevide” (em inglês literal “To ramble the pip”), “Andar sempre ó tio, ó tio” (ou seja, “To walk always oh uncle, oh uncle”), “Andar Na-Boa-Vai-Ela” (“To walk In-The-Good-Goes-She), “Calhau com dois olhos” (“Stone with two eyes”)”, “Boa como o milho” (“As good as corn”) ou “Quanto é o tombo?” (“How much is the fall?”).

dicionario portogues

João Carlos Brito disse à agência Lusa haver na obra, publicada pela editora Lugar da Palavra, “uma intenção de humor” que a tradução literal proporciona, “mas existe também um trabalho de pesquisa e de investigação original, já mais sério, porquanto se procurou apresentar o seu significado e as expressões correspondentes ou aproximadas no calão, idiomatismo ou no inglês informal”. Salientou que “a tarefa, até por ser pioneira, revestiu-se de grandes dificuldades”. O trabalho de campo durou um ano.

As palavras e expressões aqui reunidas nasceram no Porto, ou foram assimiladas pelos naturais da cidade. Mas também são utilizadas em outros distritos portugueses, esclareceu João Carlos Brito. Outras ainda são “arcaísmos que foram modificados”, disse à Lusa.