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Presidenciais 2016

Rui Rio: “Uma campanha presidencial custa muito dinheiro”

Rui Rio fez 80% da reflexão de que precisa para saber se é candidato, mas não quer avançar contra a vontade do líder do PSD. E criticou o "principado" que manda no país a partir de Lisboa.

PAULO NOVAIS/LUSA

Autor
  • Helena Pereira

A decisão de Rui Rio sobre uma candidatura presidencial é um working in progress. E está a 80% da sua capacidade. Foi o que revelou em entrevista à RTP Informação esta quarta-feira à noite.

“Aquilo que estou a fazer e vários outros que admitem essa hipótese é ponderar e a ponderar vários fatores. O que acho que deve ser o próximo PR? Eu tenho perfil para isso? Imagine que agora Portugal era invadido por Espanha? Eu não tinha perfil para isso. Se calhar, devia ser um general”, explicou Rio, dando outros exemplos sobre matérias a equacionar: condições pessoais e políticas e logísticas para montar uma campanha (“se eu sou um candidato completamente em cima de um partido é tipo candidato do PCP”), capacidade de angariar fundos. “Uma pessoa não é candidata porque acha piada, por componente lúdica, por vaidade”, prosseguiu. Já o apoio do PSD não será determinante, embora Rio diga que pesa na decisão se o partido disser “Não te apoio e não te quero”.

“Estou a ponderar todos os fatores que devem ser ponderados para um passo de extrema responsabilidade”, insistiu, explicando que essa ponderação vai a 70/80% e que o momento para o anunciar ainda não está definido, pode ser antes ou depois das legislativas.

Durante a entrevista, deixou críticas ao “pequeno principado que manda no país” e que só conhece “os corredores do poder da capital” e prometeu “uma rutura do sistema”. A prioridade será, disse, a reforma do regime político porque não suporta o “desprestígio da política”. E defendeu um perfil mais interventivo para a Presidência da República.

Segundo Rui Rio, a coligação e o PS estão neste momento empatados nas intenções de voto. “As coisas estão muito equilibradas”, considerou, não acreditando em qualquer maioria absoluta. Nesse quadro, defende que, com um governo de maioria relativa, “o referencial de estabilidade do país vai passar a ser o Presidente da República”. O chefe de Estado, prosseguiu, “deverá estabelecer pontes e consensos” e “fazer para que partidos se entendam”.

Já o “partido que perder as eleições vai atravessar uma grande crise”, vaticinou, explicando que o líder do partido que ganhar “fica sem interlocutor válido”.

Questionado sobre se o país está hoje melhor ou pior do que em 2011, o ex-autarca do Porto respondeu que “há coisas melhores e coisas piores”. Por um lado, “os mercados passaram a ter confiança” em Portugal e o país conseguiu com a troika “travar a fundo ritmo do crescimento da despesa”, mas, por outro, há “salários reais mais baixos, mais desemprego”.

Criticou o programa da troika, defendeu medidas de incentivo ao crescimento económico de braço dado com o desenvolvimento e harmonia social e puxou as orelhas também ao atual Governo. “A governação podia ter sido diferente, podia”, disse, sublinhando “a guerra entre funcionários da função pública e dos privados porque uns eram os maus e outros os bons” e os cortes nos salários foram feitos antes de alterações no IRS.

“Houve muito sofrimento que poderia ter sido diferente e menor, mas hoje estamos numa situação muito mais confortável”, reconheceu.

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