A Administração Regional de Saúde de Lisboa justificou esta sexta-feira a restrição de linhas telefónicas com acesso exterior nos centros de saúde com o “absurdo número” de linhas existentes e com o elevado custo em chamadas internacionais.

Os esclarecimentos da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) surgem depois de o Diário de Notícias ter divulgado uma circular que pretende limitar o acesso direto ao exterior por parte dos médicos dos centros de saúde na zona da Grande Lisboa, com alguns profissionais de saúde a mostrarem-se indignados com a medida.

Num comunicado, o conselho diretivo da ARS refere que quando iniciou funções existiam nas várias unidades de saúde 8.750 ligações telefónicas diretas quando há cerca de 7.800 funcionários.

“Existiam mais ligações telefónicas diretas do que funcionários ao serviço”, justifica a ARS, indicando ainda que muitas das ligações nem sequer eram utilizadas, mas havia um custo de acesso cobrado por parte das operadoras de telecomunicações.

“Como é fácil de perceber, esta é uma situação incompreensível e com elevados custos (desnecessários) para os contribuintes”, acrescenta a nota.

A ARS-LVT argumenta ainda que se verificava um elevado custo em telecomunicações para chamadas internacionais feitas a partir dos telefones fixos de serviço, que “dificilmente podem estar relacionadas com questões de acompanhamento dos utentes ou com questões de serviço”.

Para “garantir a otimização de recursos”, a ARS iniciou uma “renovação das centrais telefónicas”, ao mesmo tempo que aumentava o número de telemóveis de serviço.

“Todas as unidades de cuidados de saúde primários, garantidamente todas, dispõem de acessos telefónicos ao exterior (várias linhas)”, sublinha a instituição, afirmando ainda que nenhuns aparelhos telefónicos foram retirados dos centros de saúde.

A principal alteração é que alguns profissionais de saúde (como médicos) têm de solicitar a um funcionário a ligação telefónica ao exterior.

“Em nenhum momento as medidas adotadas pelas ARS-LVT tiveram como objetivo impedir que os seus profissionais de saúde estivessem limitados no contacto com os seus utentes. (…) Garantiu-se, isso sim, a melhor gestão dos recursos públicos, a utilização de chamadas pagas pelos contribuintes para o fim a que se destinam”, conclui o comunicado.

A agência Lusa tentou saber junto da ARS-LVT que volume de poupanças pode significar esta medida, mas esta questão não foi respondida.

Na nota a que chama de esclarecimento, a ARS indica ainda que não recebeu “qualquer reclamação formal por parte de profissionais de saúde” e, caso isso suceda, as direções dos Agrupamentos de Centros de Saúde têm autonomia para avaliar as situações e propor medidas de alteração.