Médicos e enfermeiros dos centros de saúde da região de Lisboa vão deixar de poder fazer chamadas diretas para o exterior, noticia o Diário de Notícias. A medida faz parte de uma circular da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e já está em curso há alguns meses, refere o mesmo jornal.

São quase 300 unidades de cuidados primários que terão de obedecer a uma circular de janeiro de 2014. Os médicos e enfermeiros que precisem de fazer uma chamada para o exterior, como para falar com um doente ou pedir a opinião de um colega, terão de pedir ao apoio administrativo para o fazer.

“Foi uma ordem da ARS que levou a uma nova configuração das centrais. Quiseram limitar o acesso dos profissionais a telefonemas exteriores. Mas para mim é apenas uma medida de comando e controlo sem qualquer poupança. É uma regra absurda, quando nem sequer sabemos quanto gastamos”, diz, citado pelo DN, António Branco, ex-presidente da ARSLVT e que agora coordena a Unidade de Saúde Familiar Santa Maria em Tomar.

O atual presidente da ARSLVT, Luís Cunha Ribeiro, nega que esta seja uma medida indiscriminada de corte de custos. “Apenas cortámos acessos que não eram usados. Existem sim outros problemas que não são da nossa responsabilidade.” O presidente acrescenta ainda que já aumentou o número de telemóveis de serviço.

O Diário de Notícias refere em que casos continuará a existir ligação ao exterior: “todos os telefones dos apoios administrativos; o telefone do gabinete de coordenação da unidade funcional; do gabinete de enfermagem da vacinação; dos gabinetes de enfermeiros chefes, caso se aplique; do gabinete do coordenador da Unidade de Cuidados na Comunidade”.

Ainda assim, António Branco refere que esta medida prejudica o trabalho dos profissionais de saúde. “Nós tínhamos uns 30 pontos de ligação e agora temos cinco. Se já era difícil contactar alguém no hospital, agora é ainda pior. Também não se consegue falar com um doente a menos que façamos esse pedido. “