Exportações

Exportações. Os campeões nacionais não desistem de fazer mais

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Há um setor económico cujas exportações atingiram 6.354 milhões de euros nos primeiros 5 meses do ano - mais 12,2% do que há um ano. Agora, essas empresas procuram novo recorde. Adivinha quem são?

Volkswagen Autoeuropa é a maior exportadora do setor, seguida da Peugeot Citroen

LUIS FORRA/LUSA

Adivinha que setor anda a bater recordes de exportações – e quer bater outro no final do ano? É o setor da metalurgia e metalomecânica português, que está a correr tão rápido que quer ultrapassar os 15 mil milhões de euros em vendas para fora do país. A avaliar pelos dados revelados esta sexta-feira pela Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP). Rafael Campos Pereira, vice-presidente da associação, nem hesita: “se continuarmos a crescer e a manter os registos que mantivemos nos primeiros cinco meses do ano, vamos ultrapassar a nossa meta“. Ambição não falta, mas a distância para a meta é grande: ainda há 9 mil milhões de euros para vender ao exterior e só sobram sete meses ao ano.

Mas, repare, as coisas correm bem ao setor. As exportações de máquinas e equipamentos, produtos metálicos, equipamentos de transporte e fabrico de peças técnicas utilizadas no setor automóvel ou aeronáutica, entre outros, atingiram 6.354 milhões de euros nos primeiros cinco meses de 2015, mais 12,2% do que em igual período do ano anterior. Representou 30% das exportações nacionais nos primeiros cinco meses do ano, que totalizaram 20,6 mil milhões de euros. E há 16 meses que a variação homóloga das exportações do setor metalúrgico e metalomecânico está a crescer. Falamos, portanto, de um campeão nacional – talvez apenas menos sexy do que um Ronaldo. Mas valioso, muito.

O ano de 2015 tem confirmado todas as nossas expectativas. A aposta estratégica na expansão para mercados externos de valor acrescentado e o investimento das empresas na qualidade e inovação dos seus produtos e serviços mostrou-se crucial e é algo que nos deixa muito orgulhosos”, explica Rafael Campos Pereira.

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A inovação tecnológica está a empurrar cada vez mais a metalurgia portuguesa para a indústria europeia. Na Alemanha, por exemplo, não há comboio que circule que não tenha peças feitas por uma empresa de fundição portuguesa, diz ao Observador Rafael Campos Pereira. “A grande característica das nossas peças é a grande robustez e segurança, o que na área dos transportes é fundamental”, acrescenta.

Em França e no Golfo Pérsico, por exemplo, há máquinas de corte por jato de água a serem utilizadas na indústria do calçado, da pedra (mármores e granitos) ou agroalimentar. E são de uma empresa portuguesa. As agulhas que estão a ser utilizadas nas cirurgias também, bem como os novos travões de mão (que são um botão) dos modelos da Volkswagen na Europa. São desenvolvidos e produzidos em Portugal.

E sabia que só há duas empresas no mundo com capacidade e know-how para instalar peças de elevada precisão em poços de petróleo offshore a vários quilómetros de profundidade? Uma delas é portuguesa, conta Rafael campos Pereira. “E a precisão tem de ser absoluta”, diz.

Quem nos compra? Os amigos espanhóis e alemães

O mercado europeu representou 74% das vendas, com Espanha a destacar-se na liderança – de janeiro a maio de 2015, os espanhóis compraram 1.348 milhões de euros ao setor metalúrgico e metalomecânico português. A Alemanha comprou 1.237 milhões e França 822,8 milhões de euros.

Em maio de 2013, a Europa representava 66,7% do mercado total das exportações, tendo atingido 74,3% em maio de 2015 – 968,9 milhões de euros. O pico ocorreu em janeiro de 2015, mês em que os europeus receberam 75,8% de produtos portugueses, no valor de 886,5 milhões de euros. Apesar de o foco ser a Europa, Angola, China, EUA, Marrocos, Moçambique, e Colômbia têm um peso cada vez mais relevante nas exportações, de acordo com a associação.

A inovação e a competitividade do metal português são cada vez mais reconhecidas internacionalmente e estamos a competir no mesmo patamar que os gigantes mundiais do setor como a Alemanha ou alguns países asiáticos”, referiu Rafael Campos Pereira.

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No ano passado, o setor já tinha atingido um valor recorde nas exportações em valor: 13,8 mil milhões de euros, mais 9,6% do que no ano anterior, segundo os dados do INE. Os setores que mais contribuíram foram material de transporte (37%), as máquinas e equipamentos (23%), os produtos metálicos (20%) e a metalurgia de base (11,4%). Entre 2010 e 2014, as exportações do setor aumentaram 30%, referiu a AIMMAP.

No total, Portugal exportou cerca de 48, 2 mil milhões de euros em bens e serviços em 2014, sendo que cerca de 10 mil milhões foi gerada pelo setor do turismo e 13,8 mil milhões pelos produtos metalúrgicos e de metais. Rafael Campos Pereira diz que “se excluirmos o turismo, o setor é o que mais exporta em Portugal“, representando cerca de 30% das indústrias transformadoras.

Em causa está a inovação tecnológica. O vice-presidente da AIMMAP diz que as exportações sobem, mas não é em volume, é em produtos de valor acrescentado. “Não vendemos produtos em série massificados, vendemos é cada vez mais produtos com maior valor acrescentado, customizados e orientados para as necessidades dos clientes. As empresas estrangeiras desafiam as nossas a encontrarem soluções para ultrapassarem os seus problemas”, diz.

60% do volume de negócios teve origem no exterior

O grau de abertura das empresas do setor ao exterior é elevado: cerca de 60% do seu volume de negócios teve origem no mercado externo em 2013, o ano da maior recessão que o país atravessou – de acordo com a análise setorial que o Banco de Portugal publicou em março de 2015. Apesar de as exportações terem subido 1% nesse ano, não compensaram a contração que o mercado interno registou: 2%.

No total, o setor detinha cerca de 2% do número total de empresas do setor das sociedades não financeiras e 6% do volume de negócios e do emprego. Em média, as empresas do setor geraram 2,6 vezes mais volume de negócio do que as outras e tinham 2,5 vezes mais pessoas ao serviço do que a média do país.

Apesar de 73% do setor ser composto por microempresas, são as grandes empresas que fazem os maiores negócios – uma fatia empresarial de 1% é responsável por 53% do valor de negócios do setor. O destaque vai sobretudo para as empresas dos distritos de Viana do Castelo, Aveiro e Setúbal, que representam 29%, 23% e 21% do total do volume de negócios gerado nestes distritos.

O setor da metalurgia é representado por cerca de 15 mil empresas e emprega cerca de 200 mil colaboradores em Portugal. No top dos que mais exportam, o lugar cimeiro não o vai surpreender. Mas olhe para os dados mais recentes (2013) e veja que surpresas encontra.

As 10 maiores exportadoras do setor metalúrgico e metalomecânico

  1. Volkswagen Autoeuropa
  2. Peugeot Citroen
  3. Siderurgia Nacional Seixal
  4. Siderurgia Nacional Maia
  5. Renault Cacia
  6. Enercom
  7. Efacec
  8. Coficab
  9. Ogma – Indústria Aeronáutica de Portugal
  10. Grohe Portugal

Infografia: Andreia Reisinho Costa

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