Os bancos da Grécia perderam 7,69 mil milhões de euros em depósitos no mês de junho. A descida, que representa uma descida de 5,9%, levou o montante total em depósitos na banca grega para o valor mais baixo desde 2003: 122,2 mil milhões. Em novembro, havia 164,3 mil milhões em depósitos.

Segundo dados divulgados esta segunda-feira pelo Banco da Grécia, os depósitos acumulam já uma descida de 25,6% desde novembro, antes de serem convocadas as eleições que colocariam o Syriza no poder. Em junho, mês que terminou com o colapso das negociações com os credores e com o agendamento do referendo que viria a realizar-se a 5 de julho. Na última semana de junho foram instaurados os controlos de capitais que ainda se prolongam, limitando, numa primeira fase, os levantamentos a 60 euros por dia.

O agravar das tensões entre Atenas e os credores, que culminariam com esse fim de semana (27 e 28 de junho), foi pretexto suficiente para que cidadãos e empresas optassem por levantar os depósitos que conseguiram, já que se tornou cada vez mais evidente que os controlos de capitais iriam ser aplicados, à falta de progressos nas negociações com os credores.

Perante a indisponibilidade, na altura, por parte do BCE para aumentar a liquidez de emergência para a banca grega enquanto não houvesse um acordo com os credores, os controlos de capitais tornaram-se uma inevitabilidade, já que a fuga de depósitos tornou ainda mais impossível que os bancos continuassem com a atividade normal.

O BCE aumentou, entretanto, por duas vezes (900 milhões de euros em cada vez) esse limite de liquidez a que os bancos gregos podem recorrer, tendo como intermediário o banco central nacional da Grécia. Essa decisão do BCE veio na sequência do acordo celebrado na cimeira do euro às primeiras horas de 13 de julho e, depois, com a aprovação no Parlamento grego das principais “medidas prévias” que os credores consideram essenciais para avançar para as negociações sobre o terceiro resgate.