O Millennium BCP obteve um resultado líquido de 240,7 milhões de euros entre janeiro e junho, um valor que compara com o prejuízo de 62,2 milhões de euros apurado em igual período do ano passado, anunciou o banco.

O crescimento acentuado da margem financeira (26,6%) e a redução dos custos operacionais (-3,7%) estão na base da melhoria do resultado líquido do BCP.

Durante o primeiro semestre, o BCP aproveitou os ganhos em dívida pública para fazer um “importante esforço de provisionamento”, com as imparidades a ascenderem a 566,8 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano.

“Um valor muito significativo, mas que nos permite dizer que o nosso balanço, trimestre a trimestre, semestre a semestre, sai mais reforçado”, salientou o presidente Nuno Amado, durante a conferência de imprensa de apresentação das contas.

O presidente do BCP, Nuno Amado, antecipou também que a segunda metade do ano vai ser difícil, quer para o banco que lidera, quer para Portugal, devido aos desafios relacionado com a situação grega e as eleições legislativas de outubro.

“Nós, banco e país, estamos a percorrer um caminho de correção de alguns desajustes estruturais que havia. É um caminho difícil e no segundo semestre temos desafios que têm a ver com o trabalho que temos vindo a fazer, no caminho da sustentabilidade e da recuperação da rentabilidade, num ambiente competitivo muito forte”, afirmou o gestor.

Nuno Amado, que falava aos jornalistas durante a apresentação das contas semestrais do BCP, salientou que o próximo semestre vai ser marcado pela “situação da Grécia”, que ainda não está resolvida, apontando também para o facto de se realizarem eleições legislativas em outubro.

Quanto ao impacto da situação grega sobre o BCP, Amado destacou que o banco teve “oportunidade de sair da Grécia em condições razoáveis” e atempadamente, evitando as últimas ondas de choque no país helénico.

“Não foi um semestre fácil, foi um semestre difícil, e vai ser um segundo semestre difícil, mas o BCP está a fazer o caminho que tem que fazer”, reforçou.

Nuno Amado elogiou ainda a evolução significativa do resultado ‘core’ bruto em Portugal, isto é, o resultado correspondente à soma da margem financeira e das comissões menos os custos operacionais, com um crescimento de 62,6% para 423,5 milhões de euros.

“Estamos no caminho claro da sustentabilidade do BCP”, afirmou, acrescentando que o banco apresenta rácios de liquidez “muito confortáveis”.