António Pires de Lima, ministro da Economia que diz que “regressará tranquilamente à vida privada” após as eleições, critica o Partido Socialista (PS) pelos “cenários fantasistas e voluntaristas” que caracterizam as projeções macroeconómicas do programa eleitoral do partido liderado por António Costa. “Temos de continuar o esforço de consolidação orçamental”, afirma Pires de Lima, defendendo que “este esforço de consolidação orçamental não pode, ou não deve, ser ameaçado por qualquer Governo que venha a assumir funções a partir de outubro”.

Em entrevista ao Diário Económico/Antena 1, António Pires de Lima diz que “depois destes dois anos e quatro meses, em boa medida terei cumprido o meu papel e a [minha] missão”. Quanto à possibilidade de haver uma coligação entre o PS e o CDS após as eleições, Pires de Lima é claro: “estamos a lutar para termos um governo de maioria do PSD e do CDS e com um apoio parlamentar estável, esse é o nosso objetivo”. Mas acrescenta: “na política, nomeadamente quando se está em cargos executivos, temos de nos concentrar nos objetivos e não perder demasiado tempo com cenarizações teóricas sobre cenários que não queremos que aconteçam”.

Numa crítica ao “maior partido da oposição”, Pires de Lima diz que “é uma necessidade grande que os partidos que têm a ambição de assumir responsabilidades governativas apresentem um programa que seja tão detalhado ou quantificado quanto possível ao nível daquilo que é a evolução da despesa pública”. Aí, o governo está a ser “prudente”, ao passo que o PS tem sido “bastante ousado e pouco prudente”.

“Revejo-me francamente mais na prudência que os partidos de Governo têm demonstrado nas suas projeções económicas e também no esforço gradual de alívio de austeridade que tem sido anunciado, do que os cenários mais fantasistas e voluntaristas apresentados pelo principal partido da oposição”, afirma o ministro da Economia.

Olhando para trás, Pires de Lima diz que a coligação PSD-CDS deixou “a assistência financeira para trás” e lançou no país um “processo de recuperação económica, num processo gradual de recuperação do emprego”. É certo que “ainda há muito por fazer nessa matéria, como é óbvio”, mas “o que se discute é quanto é que a economia vai crescer em Portugal em 2015 e 2016. Quanto é que o desemprego vai descer? Quando é que o desemprego vai estar abaixo dos dois dígitos? Quanto é que o investimento vai subir, quanto é que as exportações vão aumentar?”

“Eu gostaria de [ter feito mais] em alguns dossiês, que têm a ver com a simplificação da vida das empresas. E que pudéssemos ter ainda ido mais longe ao nível da redução da despesa pública, também muito por consequência das decisões do Tribunal Constitucional. Seria desejável que pudéssemos ter ido mais longe, até para fazer a redução fiscal, nomeadamente nos rendimentos do trabalho”, afirma o ministro da Economia.