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Petr Pavlensky é um artista russo de 31 anos. Que coseu o lábio superior ao inferior, se enrolou em arame farpado e pregou o escroto ao chão da emblemática Praça Vermelha, em Moscovo. Sim, a arte de Pavlensky choca (e não é pouco). Mas é por isso que ele a utiliza: para captar a atenção das pessoas e protestar contra as políticas com as quais não concorda.

Quando em outubro do ano passado, subiu nu ao topo de um hospital psiquiátrico e cortou o lóbulo de uma orelha com uma faca de cozinha, protestava contra o uso de tratamento psiquiátricos em dissidentes políticos, por exemplo. Não foi ato isolado.

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As suas exibições artísticas não agradaram ao governo russo, que abriu um inquérito contra Pavlenseky. Pavel Yasman era o agente do Comité de Investigação Russo (equivalente ao FBI norte-americano) responsável por interrogar o artista. Meses depois, despediu-se e passou para o lado de lá da mesa, conta o Guardian. É o mais recente membro da equipa que apoia Pavlenseky.

Aquele que é considerado “o artista mais controverso da Rússia” está a ser acusado pelo Ministério Público de vandalizar uma ponte histórica no centro de São Petersburgo – queimou pilhas de pneus para reproduzir o que se estava a passar nas ruas da capital da Ucrânia, quando o presidente Viktor Yanukovych foi deposto. Se for considerado culpado pode passar até três anos na prisão.

Pavel Yasman envolveu-se de tal forma nas causas que Pavlensky defende que se despediu e inscreveu-se num curso de Direito para defender o artista em tribunal. No decorrer dos interrogatórios, discutiam o que era permitido na arte, até que o agente confessou que estava a ser pressionado pelos superiores para avançar com o caso.

Pavlensky terá respondido: “Então concorda que também você é apenas uma ferramenta. O governo pura e simplesmente usa as pessoas”. E Yasman mudou não só de ideias, mas de vida. “As pessoas que trabalham nas autoridades policiais tornam-se ferramentas. Tudo o que têm de humano é oprimido e muitas duvidam do que fazem, se estará correto“, diz.

A 15 de julho decorreu a primeira audiência do julgamento de Pavlensky, mas Yasman queria representar o artista, enquanto advogado, e o tribunal rejeitou. Argumentou que era parte interessada no processo, por ter interrogado Pavlensky. Em setembro, há nova audiência.