O ex-presidente da Eletronuclear, empresa brasileira para operação de centrais termonucleares, almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, foi preso na nova fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na petrolífera Petrobras.

A Eletronuclear é uma das subsidiárias da Eletrobras, empresa de geração, transmissão e distribuição de energia de economia mista, mas controlada pelo Governo brasileiro.

Pinheiro da Silva é acusado pela Polícia Federal de ter recebido 4,5 milhões de reais (1,19 milhão de euros) em subornos, segundo a imprensa local.

As suspeitas contra o almirante foram obtidas através de depoimentos de outro acusado, Dalton Avancini, ex-presidente da construtora Camargo Corrêa, que fez um acordo com a Justiça para prestar informações em troca de uma possível redução de pena.

A Polícia Federal investiga se os contratos assinados por construtoras com a Eletronuclear, para a construção de Angra 3, a terceira de centrais nucleares localizadas no estado de Rio de Janeiro, tenham sido resultado de adjudicações fraudulentas e se houve pagamento de subornos a funcionários da empresa, assim como ocorreu na contratação de outras construtoras pela Petrobras.

A Polícia e a Procuradoria realizaram hoje a 16.ª fase da Operação Lava Jato, que resultou em 23 mandados de busca e apreensão, cinco de condução de suspeitos e testemunhas para depoimento obrigatório e dois de prisão temporária, nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro, Niterói (na região metropolitana do Rio de Janeiro), São Paulo e Barueri (região metropolitana de São Paulo).

Além de Pinheiro da Silva, também foi detido um executivo da construtora Andrade Gutierrez, Flávio Barra, que representou a empresa no consórcio da central termoelétrica de Angra 3.

A Eletrobras ainda não comentou o sucedido.

Pinheiro da Silva negou ter recebido pagamentos indevidos quando se afastou do cargo de presidente da Eletronuclear, em abril deste ano.

A Andrade Gutierrez informou estar à disposição da Justiça e a acompanhar a nova fase da operação Lava Jato, citada pela imprensa brasileira.